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EUA intensifica bombardeios contra Irã após anunciar restabelecimento de bloqueio naval
Os Estados Unidos intensificaram nesta terça-feira (14) os bombardeios contra o Irã após anunciarem o restabelecimento do bloqueio naval aos portos da república islâmica, o que levou Teerã a responder com ataques contra países da região.
A retomada das hostilidades, de uma magnitude sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, colocou em risco um frágil protocolo de acordo assinado em 17 de junho, embora Donald Trump tenha indicado que um acordo continua sendo "possível".
No entanto, o presidente voltou atrás em sua proposta de cobrar uma taxa de 20% dos navios que cruzassem o Estreito de Ormuz, apresentada na segunda-feira.
Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que essa cobrança será substituída por "acordos de comércio e investimento que os diversos Estados do Golfo" realizarão nos Estados Unidos.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ironizou na segunda-feira a ameaça de pedágio feita por Trump: "20% é, evidentemente, muito. Seremos justos".
A cobrança de pedágios pela passagem por uma via marítima contraria o direito internacional, que em princípio deve garantir a liberdade de navegação. No entanto, o Estreito de Ormuz tornou-se, desde o início do conflito, uma carta estratégica tanto para os Estados Unidos quanto para o Irã.
Durante uma missão de cinco horas, as forças americanas bombardearam "alvos militares" em várias cidades portuárias do sul do Irã, como Bushehr e Bandar Abbas, detalhou o Comando Central dos Estados Unidos.
Segundo a agência iraniana Fars, um prédio de uma agência ambiental na região de Hormozgã (sul) foi alvo de um ataque no qual morreu a família de um guarda-florestal.
A Fars também informou sobre bombardeios americanos na ilha iraniana de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz, mas afirmou que as explosões não deixaram vítimas.
Ao todo, 28 pessoas morreram no Irã desde que as hostilidades foram retomadas na quarta-feira passada, segundo uma contagem da AFP baseada na imprensa iraniana e em fontes oficiais.
– Ataques contra Jordânia, Bahrein e Kuwait –
"Está claro que não é agradável ver seu país em guerra", afirma em Teerã Hossein, um vendedor de 43 anos. "Mas vamos nos defender, como fizemos no passado."
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, reivindicou nesta terça-feira uma operação no Bahrein, incluindo um ataque contra um edifício residencial das forças americanas na base de Juffair.
Também anunciaram ter atacado na Jordânia "instalações estratégicas e as forças norte-americanas em uma base aérea", segundo um comunicado citado pela agência Tasnim. Amã informou que interceptou quatro mísseis.
O Kuwait informou que estava interceptando projéteis em seu espaço aéreo e no Estreito de Ormuz. Os Emirados Árabes Unidos, aliados de Washington no Golfo, também relataram que o Irã atacou dois de seus petroleiros nessa rota marítima, causando a morte de um tripulante.
A agência marítima britânica UKMTO informou sobre um ataque, sem especificar se se tratava do mesmo incidente.
Apesar das hostilidades, Trump declarou na noite de segunda-feira à imprensa, na Casa Branca, que um acordo com o Irã ainda era "possível".
A diplomacia iraniana afirmou que as negociações diplomáticas com os mediadores continuam.
– Iêmen à beira do conflito –
Enquanto isso, a Arábia Saudita e os huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, parecem estar à beira de uma nova guerra, e os rebeldes afirmaram nesta terça-feira que derrubaram um drone de reconhecimento saudita.
Por sua vez, Israel não participou, até o momento, dos ataques contra o Irã, e sua frente com o Líbano vive um momento de relativa calma após as devastadoras hostilidades. Os dois países mantêm um novo ciclo de negociações em Roma.
Israel afirmou esperar que suas conversas com Beirute contribuam para implementar um acordo sobre duas "zonas-piloto" no sul do Líbano, de onde as tropas israelenses deveriam se retirar.
Na tentativa de aumentar a pressão sobre o Irã, o presidente americano anunciou o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos, que entrará em vigor na terça-feira às 20h GMT (17h de Brasília), segundo o Exército dos Estados Unidos.
Durante o bloqueio anterior, iniciado em abril como represália ao fechamento do estreito por Teerã, o Irã não conseguiu exportar "nem um único barril de petróleo", segundo seu principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A operação "desempenhou um papel decisivo na assinatura do memorando de entendimento", avaliou o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) em um relatório.
burx-cgo/anb/avl/fp/aa/am
L.Janezki--BTB