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Ex-líder das Farc teme violência na Colômbia após ameaças do presidente eleito
O ex-líder da extinta guerrilha das Farc Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, advertiu nesta terça-feira (14) à AFP que “as mensagens de ódio” podem alimentar a violência, depois que o presidente eleito da Colômbia prometeu prendê-lo e revogar uma parte fundamental do acordo de paz de 2016.
Londoño informou que um grupo de ex-líderes guerrilheiros que assinaram a paz enviou uma carta ao ultradireitista Abelardo de la Espriella para reconhecer sua vitória eleitoral e solicitar um diálogo para “honrar” o acordo.
Após a assinatura do documento, durante o governo de Juan Manuel Santos (2010-2018), cerca de 13 mil rebeldes entregaram suas armas e se reintegraram à vida civil.
De la Espriella é um crítico do acordo de paz e declarou sua intenção de desmantelar o tribunal que julga os crimes do conflito com penas alternativas à prisão para ex-guerrilheiros e militares que contribuem para o esclarecimento da verdade. No ano passado, Londoño foi condenado a oito anos de serviço comunitário pelos mais de 21 mil sequestros cometidos pelas Farc.
Em mensagem de vídeo divulgada ontem, o presidente eleito chamou o ex-líder guerrilheiro de "criminoso de guerra", e a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), oriunda do acordo, de "disfarce de tribunal".
- "Honrar" o acordo -
De la Espriella prometeu encerrar as negociações com os grupos dissidentes das Farc mantidas pelo governo do esquerdista Gustavo Petro e bombardear as guerrilhas dedicadas ao narcotráfico. Também considera leves as sentenças do sistema de justiça transicional contra ex-guerrilheiros, em comparação com as penas aplicadas a membros da força pública processados por execuções extrajudiciais.
Durante um evento pelo décimo aniversário do acordo, Londoño disse à AFP que aqueles que assinaram a paz são submetidos constantemente a "estigmatização" e "mensagens de ódio". Um total de 492 ex-guerrilheiros que assinaram o acordo foram assassinados, segundo a Missão de Verificação da ONU.
Londoño e outros seis líderes históricos da guerrilha enviaram hoje uma carta a De la Espriella, em que reafirmam seu "compromisso de honrar" o tratado. "Esperamos que o Estado colombiano responda ao compromisso assumido com a mesma honradez", diz o texto.
"Acredito que o diálogo é fundamental para conquistar a paz", disse Londoño à AFP. "A sociedade colombiana já amadureceu muito, e podemos nos entender e fazer a Colômbia avançar, como todos nós desejamos. E que construamos com as diferenças."
Para desmantelar a JEP é necessária uma reforma constitucional, que precisaria ser aprovada pelo Congresso que tomará posse na próxima semana, onde o partido de De la Espriella fará parte da minoria.
E.Schubert--BTB