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O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (20) uma nova onda de bombardeios contra o Irã, à qual Teerã respondeu com ataques contra seus vizinhos do Golfo, mas sem fechar a porta ao diálogo através de mediadores.
Pela nona noite consecutiva, Washington iniciou "uma nova série de ataques contra o Irã" às 23h00 GMT (20h em Brasília) de domingo, escreveu no X o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom).
"Os ataques continuarão degradando as capacidades militares iranianas usadas para atacar navios comerciais e marinheiros civis que transitam pelo Estreito de Ormuz", acrescentou.
A ofensiva deixou um morto e vários feridos em Tabriz (noroeste), a mais de 1.000 quilômetros do Golfo, informaram autoridades locais.
Várias outras pessoas ficaram feridas durante ataques na cidade de Urmia, localizada na província vizinha, segundo autoridades.
Washington garantiu apontar para instalações militares, mas Teerã acusou o país de realizar ataques em áreas povoadas, em particular em Bushehr, onde fica a única usina nuclear em funcionamento do país.
A usina de Darkhovin, ainda em construção, também foi alvo de ataques, segundo a república islâmica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que as últimas ofensivas militares contra o Irã foram em resposta às mortes de membros das forças armadas americanas nos últimos dias.
- Esforços diplomáticos -
Em represália, Teerã voltou a atacar nesta segunda-feira seus vizinhos Kuwait e Bahrein, aliados de Washington, ao mesmo tempo em que afirmou continuar suas conversas com os Estados Unidos através de mediadores.
"Fomos informados pelos mediadores, recebemos mensagens — sem entrar em detalhes —, mas o essencial é que o aparato diplomático esteve ativo nos últimos dias", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa em Teerã.
Paquistão, Catar e Omã participam das negociações entre Teerã e Washington.
No Bahrein, jornalistas da AFP ouviram nesta segunda-feira as sirenes de alerta aéreo e várias explosões, enquanto o Exército do Kuwait afirmou ter enfrentado ao amanhecer "ataques de drones hostis iranianos".
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou no domingo ter destruído aviões militares americanos no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, e também ter lançado "um ataque surpresa" contra instalações militares americanas na região de Al Tanf, na Síria.
- Navio em chamas -
O Irã advertiu nesta segunda-feira que está disposto a "tomar as medidas necessárias" para garantir sua soberania e evitar que o Estreito de Ormuz seja utilizado para "ameaçar a segurança e os interesses" da república islâmica.
Essa rota estratégica, por onde transitava antes da guerra um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, está novamente bloqueada pelo Irã desde a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, que voltaram a impor um cerco aos portos iranianos.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou nesta segunda-feira que um navio estava em chamas no estreito, a cerca de 15 quilômetros ao noroeste da localidade omanense de Kumzar, sem precisar a causa do incêndio.
Pouco depois, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou que dois navios que tentavam passar pelo Estreito de Ormuz "explodiram e foram detidos".
Na noite de domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, apelou à união da comunidade internacional a Washington para "proteger o transporte marítimo" nessa passagem.
Os preços do petróleo, que haviam se acalmado após a assinatura do protocolo de acordo, mantiveram a trajetória de alta. Na manhã desta segunda-feira, o barril de Brent do Mar do Norte superou os 90 dólares (460 reais).
burx-roc/tmt/cr/mas/mmy/erl/jc
H.Seidel--BTB