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Trump promete ajudar Líbano a alcançar a paz com Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta terça-feira (21) ajudar "muito" o Líbano, ao receber na Casa Branca o presidente Joseph Aoun, em um momento em que o acordo com Israel, patrocinado por Washington, começa a ser implementado.
Aoun, o primeiro presidente libanês convidado a Washington desde 2009, pediu a Trump apoio político e a manutenção do respaldo ao Exército libanês, que começou a se deslocar para áreas do sul do país com o objetivo de desarmar o Hezbollah e abrir um caminho para a paz com Israel.
"Precisamos apoiar as FAL", disse Aoun, em referência às Forças Armadas Libanesas. "Sem as FAL, tudo desmoronará."
Trump afirmou que o Líbano foi "um país muito maltratado" durante décadas. "Vamos ajudá-lo. Vamos ajudá-lo muito", assegurou.
Após as conversas, Trump disse que autorizará a retomada de voos diretos de companhias aéreas americanas para o Líbano, suspensos há mais de 40 anos após o sequestro, em 1985, por militantes islamistas libaneses, de um voo da TWA com 39 americanos a bordo.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, comemorou o anúncio e afirmou que ele "representa uma importante oportunidade para melhorar as viagens e a conectividade entre o Líbano e os Estados Unidos, além de apoiar a economia libanesa".
– "Espinha dorsal" –
Em declarações no Salão Oval, Aoun, ex-comandante do Exército, afirmou que as Forças Armadas Libanesas são "a espinha dorsal da segurança e da estabilidade" e a instituição mais confiável do país.
Mais tarde, a Presidência libanesa informou que, durante o encontro com Trump, Aoun havia enfatizado a "necessidade urgente de uma retirada completa de Israel do território libanês" como condição indispensável para avançar com o acordo-quadro.
Questionado sobre se Washington exercerá pressão adicional sobre Israel para que se retire, Trump respondeu: "Vamos analisar isso."
A visita de Aoun ocorreu enquanto as Forças Armadas Libanesas ingressavam em uma área do sul do Líbano em virtude de um acordo com Israel destinado a demonstrar que Beirute pode estender a autoridade do Estado e desarmar o Hezbollah, um movimento islamista pró-Irã — condição estabelecida por Israel para encerrar sua ocupação.
Mas, em um sinal da fragilidade desse acordo, o Exército libanês afirmou que tropas israelenses dispararam próximo de seus soldados posicionados em uma chamada "zona piloto", da qual Israel deveria se retirar.
As "zonas piloto" onde o Exército libanês está sendo mobilizado ficam imediatamente fora do território que as forças israelenses invadiram depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel e arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio, em março.
O Exército libanês informou nesta terça-feira que havia começado a se posicionar em uma das três zonas piloto, a aldeia de Zautar al Gharbiya, mas, horas depois, afirmou que as forças israelenses haviam "aberto fogo nas proximidades dessas unidades".
As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que haviam efetuado apenas "disparos de advertência para o alto" depois que soldados libaneses entraram em uma área que "não fazia parte da zona piloto". Segundo as FDI, não houve feridos.
De acordo com a imprensa estatal libanesa, as forças israelenses também detiveram brevemente três homens da cidade de Shebaa, no sul do país e de maioria sunita, próxima à fronteira.
– "Infraestrutura terrorista" –
O Hezbollah, porém, rejeita entregar suas armas e se opõe tanto ao acordo quanto às negociações entre Israel e o Líbano.
Aoun afirmou que o acordo-quadro não exigia ratificação pelo Parlamento e que se tratava de uma prerrogativa presidencial prevista na Constituição libanesa.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou, após reunir-se com Aoun no domingo, que o Líbano "nunca alcançará uma paz verdadeira" enquanto o Hezbollah permanecer armado.
Rubio também elogiou o que classificou como o esforço do governo libanês para recuperar a soberania do país, desarmar o Hezbollah e desmantelar sua "infraestrutura terrorista".
A iniciativa de Aoun ocorre depois que ataques israelenses no último conflito mataram mais de 4.300 pessoas no Líbano, segundo as autoridades libanesas.
A violência diminuiu desde a assinatura, no mês passado, de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã e do acordo entre o Líbano e Israel.
N.Fournier--BTB