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Trump nega diálogo previsto com Irã e apresenta Ormuz como "novo território dos EUA"
O presidente americano, Donald Trump, negou nesta terça-feira (18) que haja conversas em andamento ou previstas com o Irã e publicou um mapa que apresenta o Estreito de Ormuz, epicentro do conflito, como um novo território dos Estados Unidos.
Embora as hostilidades tenham diminuído após os bombardeios israelenses e americanos e as represálias iranianas das primeiras semanas, a situação continua tensa na região, após quase seis meses de guerra.
Os Emirados Árabes Unidos emitiram nesta terça-feira, pela primeira vez em um mês, um alerta telefônico no qual pediam à população que se colocasse em segurança diante de "ameaças de mísseis". "As defesas aéreas dos Emirados detectaram dois mísseis balísticos lançados do Irã em direção ao país; o primeiro caiu fora das águas territoriais e o segundo caiu nas águas territoriais", informou o Ministério da Defesa no X.
Trump afirmou que "não há diálogo nem conversas em andamento, nem tampouco estão previstas, com a República Islâmica do Irã".
"O bloqueio naval continua sendo aplicado. O Estreito de Ormuz está aberto e em operação. Todas as minas nas águas foram retiradas ou detonadas", escreveu em sua rede Truth Social.
Essa declaração poderia gerar confusão, depois que o enviado americano e genro de Trump, Jared Kushner, mencionou na segunda-feira discussões "muito positivas e animadas".
Uma fonte americana explicou à AFP que essas conversas foram suspensas e que Trump pediu a suas equipes que não retomem o diálogo enquanto Teerã não se aproximar das posições de Washington.
- Condições iranianas -
As autoridades iranianas apenas deram sinais neste sentido.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou nesta terça-feira que o estreito não seria aberto enquanto Washington não cumprisse seus compromissos previstos em um protocolo de acordo assinado em junho.
O texto previa uma trégua de 60 dias para negociar uma solução diplomática duradoura, mas não resultou em nada.
O negociador iraniano citou como condições "o levantamento do bloqueio naval (americano), o descongelamento dos ativos (iranianos), o levantamento do embargo ao petróleo", assim como "o fim das operações militares em todas as frentes".
Trump agora cogita a ideia de transformar Ormuz em um "território americano" e, por exemplo, publicou nesta terça-feira no Truth Social um mapa no qual o estreito é descrito dessa maneira.
Apesar das afirmações do líder republicano, o tráfego na região continua muito reduzido em comparação com os níveis anteriores ao conflito.
A contagem de navios, porém, é dificultada pelo fato de que algumas embarcações optam por desligar seus transponders, dispositivos emissores-receptores que comunicam sua posição, no momento de atravessar o estreito.
- Omã -
Após o ataque americano-israelense contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã respondeu com bombardeios contra países vizinhos aliados de Washington e fechou essa importante via de trânsito para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
Por sua vez, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Apesar de suas surpreendentes declarações sobre anexar Ormuz ou de sua ameaça, feita na segunda-feira, de "bombardear" Omã, um aliado dos Estados Unidos, Trump parece ter optado agora por uma postura mais cautelosa.
Kushner afirmou na segunda-feira que o presidente seria "muito paciente". "Ele não gosta de se precipitar para fechar um acordo", disse.
O conflito contra o Irã fez os preços dispararem nos Estados Unidos às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato de novembro, que decidirão se o Partido Republicano de Trump mantém o controle do Congresso.
Além disso, qualquer retomada das hostilidades por parte de Washington implicaria lidar com reservas de mísseis já muito reduzidas, segundo a imprensa americana.
O governo americano aposta nos efeitos de longo prazo da pressão econômica sobre o Irã por meio do bloqueio marítimo e de diversas sanções.
O Catar, um dos mediadores entre Teerã e Washington, afirmou nesta terça-feira que um acordo entre Irã e Omã sobre Ormuz "facilitaria" a retomada das negociações destinadas a pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Irã e Omã, que têm costas voltadas para o estreito, vêm discutindo há várias semanas sobre sua futura gestão. Teerã afirmou que as coordenadas geográficas da delimitação contemplada pelos dois países "foram aprovadas".
Antes de eclodir a guerra com o Irã, o Estreito de Ormuz era uma via marítima internacional aberta.
A República Islâmica, que agora mira os navios que tentam atravessar o estreito sem solicitar autorização, quer impor taxas de navegação por serviços prestados para o trânsito pela região, algo a que se opõem firmemente os Estados Unidos e alguns países da região.
A.Gasser--BTB