Berliner Tageblatt - Chefe das forças curdas da Síria anuncia dissolução da milícia que liderou luta contra jihadistas

Chefe das forças curdas da Síria anuncia dissolução da milícia que liderou luta contra jihadistas
Chefe das forças curdas da Síria anuncia dissolução da milícia que liderou luta contra jihadistas / foto: © AFP/Arquivos

Chefe das forças curdas da Síria anuncia dissolução da milícia que liderou luta contra jihadistas

Mazloum Abdi, líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), anunciou na noite desta terça-feira (25) a dissolução dessa milícia que lutou contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), em cumprimento a um acordo com o presidente Ahmed al-Sharaa, decidido a reunificar a Síria.

Tamanho do texto:

As FDS lideraram a luta contra o grupo jihadista EI até sua derrota, em 2019, durante a guerra civil na Síria, mas perderam o apoio dos Estados Unidos, que se aproximaram do novo governo sírio após a queda de Bashar al-Assad.

Abdi declarou na semana passada que o processo de integração às instituições do Estado sírio estava concluído e que se iniciava uma "nova fase", após um acordo firmado em janeiro. O líder curdo anunciou nesta terça-feira a dissolução da milícia.

"Hoje anunciamos o fim da missão das Forças Democráticas Sírias (FDS) e declaramos, com toda a responsabilidade, sua dissolução como força militar independente", afirmou Abdi em um discurso proferido no palácio presidencial de Damasco.

A força foi criada em 2015 por iniciativa dos Estados Unidos, que ficaram impressionados com os combatentes curdos que derrotaram o EI em Kobane, no norte da Síria, e buscavam um aliado confiável na batalha em curso contra os jihadistas.

Em seu auge, chegou a reunir cerca de 100 mil combatentes, tanto curdos quanto árabes, e controlava amplas áreas do norte e nordeste da Síria, ricas em petróleo. Nessa região, os curdos estabeleceram um governo autônomo com suas próprias instituições civis e militares.

O acordo firmado em janeiro com o novo governo sírio, surgido das milícias rebeldes lideradas por islamistas que derrubaram Assad em 2024, pôs fim ao antigo anseio dos curdos por autonomia.

A integração ocorreu após meses de negociações entre as duas partes, marcadas pelo apoio que os Estados Unidos prestam ao presidente sírio Sharaa, um ex-jihadista que agora busca se apresentar como uma figura unificadora em um país fragmentado por uma guerra civil de quase 14 anos.

— "As circunstâncias mudaram" —

O acordo de integração deste ano ocorreu após confrontos entre combatentes curdos e o Exército do governo central da Síria, que obrigaram essa minoria a se retirar de vários territórios que controlava.

Durante a eclosão da violência, Sharaa assinou um decreto para declarar o curdo um "idioma nacional" e concedeu a essa minoria reconhecimento oficial, um gesto sem precedentes desde a independência da Síria, em 1946.

"Desde a criação das Forças Democráticas Sírias, seus combatentes assumiram uma grande responsabilidade durante um dos períodos mais difíceis" para a Síria, afirmou Abdi em seu discurso.

"Libertaram numerosas cidades e localidades sírias", primeiro do regime de Assad e depois dos jihadistas do EI, acrescentou o líder.

"Hoje em dia, as circunstâncias mudaram e o país entrou em uma nova fase caracterizada pela paz e pela participação", afirmou Abdi.

O.Lorenz--BTB