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Multidão protesta em Madri contra despejo de mulher de 87 anos
Manifestantes se reuniram e alguns montaram barracas em Madri após uma grande passeata em protesto contra o despejo de uma mulher de 87 anos, e para exigir proteção para os inquilinos.
Imagens de Maricarmen Abascal sendo retirada em uma maca de seu apartamento em Madri na última quarta-feira, após a polícia arrombar a porta, voltaram a colocar a crise habitacional da Espanha no centro do debate, a pouco mais de um ano das eleições gerais de 2027.
Dezenas de milhares de pessoas marcharam pelo centro da capital espanhola exigindo medidas para conter o aumento dos custos de moradia e dificultar os despejos.
"É difícil encontrar um lugar que se possa pagar, e depois você vive com o medo constante de ser despejado", descreveu à AFP o designer gráfico Enrique Ortega, 38, que mora com a mãe.
Maricarmen, que se tornou um símbolo da crise habitacional da Espanha, convocou os cidadãos a se unirem à luta, em mensagem de vídeo divulgada na internet horas antes do protesto.
"Quero que o que aconteceu comigo sirva para que não aconteça com outras pessoas", disse no hospital, onde está internada por exaustão desde que foi despejada. "Quero que sirva para que as pessoas lutem e para que as leis que permitiram o meu despejo mudem."
Autoridades contabilizaram cerca de 25.000 manifestantes, enquanto o Sindicato de Inquilinos de Madri, que organizou o protesto, afirmou que mais de 300.000 pessoas participaram.
Após a passeata, alguns ativistas montaram um acampamento na praça Puerta del Sol, no centro de Madri.
- 'Insustentável' -
Segundo o sindicato, Maricarmen foi obrigada a deixar o apartamento onde morou por 70 anos após uma imobiliária comprar o imóvel e aumentar o aluguel em 275%, para 2.650 euros mensais.
A engenheira Irene López, 33, alertou que a situação "está se tornando insustentável". "Tem gente que não consegue viver nas cidades, os preços dos aluguéis não estão de acordo com os salários", denunciou.
A aposentada Maricarmen Arnedo, 76, ressaltou que, enquanto os idosos estão sendo despejados, "os jovens não conseguem se emancipar". "Queremos que os preços caiam, porque estou cansada de lavar as cuecas do meu filho, que tem 53 anos."
- Pacote de medidas -
O chefe de governo socialista Pedro Sánchez, que no ano passado prometeu priorizar o problema da habitação, enfrenta uma pressão crescente. Desde o despejo de Maricarmen, houve protestos em várias cidades da Espanha.
O governo deve aprovar na próxima reunião do Conselho de Ministros um pacote de medidas chamado de "decreto Maricarmen”, que incluiria a renovação automática dos contratos de aluguel e novas restrições aos despejos. Mas não está claro se o pacote terá o apoio do Parlamento, onde o Executivo não conta com a maioria.
O Banco da Espanha estima que o país, de cerca de 50 milhões de habitantes, tenha um déficit habitacional de 700 mil unidades, com base na diferença entre a procura e as novas construções.
Os aluguéis dispararam devido ao aumento da demanda, incluindo a do turismo e a do crescimento populacional ligado à imigração, segundo analistas.
M.Odermatt--BTB