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Rubio recebe ministros do G20, divididos pelas guerras no Irã e na Ucrânia
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, recebe nesta sexta-feira (30) seus homólogos do G20, incluindo o russo Sergei Lavrov, em um encontro que deve ser tenso devido às guerras na Ucrânia e no Irã, além dos preços da energia.
A reunião dos ministros das Relações Exteriores em Atlanta, a poucos dias das cruciais eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, estabelecerá as bases para a cúpula de líderes do G20 de dezembro, na região de Miami, no complexo turístico do presidente Donald Trump.
Rubio alertou, durante a sessão plenária de abertura, que o mundo enfrenta "crises econômicas e geopolíticas interligadas, muitas das quais representam graves ameaças" à economia global.
Poucos avanços são esperados esta semana por parte do grupo das 20 principais economias do planeta, que inclui China, Índia, Rússia, Japão, Alemanha e França, devido às divergências a respeito da guerra na Ucrânia e das consequências do conflito com o Irã.
A Rússia foi isolada pela maior parte do Ocidente após a invasão do território ucraniano em 2022, e o próprio Lavrov continua sujeito a sanções internacionais.
- Sem foto oficial -
O encontro de Rubio com Lavrov será acompanhado de perto. A conversa acontece antes das novas negociações entre Moscou, Kiev e Washington em novembro.
A reunião começou com um contratempo: a tradicional foto oficial, na qual todos os representantes presentes posam juntos, foi cancelada porque os europeus não queriam aparecer ao lado de Lavrov.
O chanceler russo está presente na sala onde acontece a reunião, em um grande hotel da cidade.
Sua presença "não normaliza de forma alguma seus atos nem suas posições", afirmou uma fonte diplomática antes do encontro, acrescentando que "os europeus continuarão defendendo firmemente sua posição sobre a Ucrânia".
O governo dos Estados Unidos busca a via diplomática para a Ucrânia, ao mesmo tempo que solicita a cooperação de Moscou para controlar os preços dos combustíveis, um tema crucial da campanha para as eleições de meio de mandato.
Trump flexibilizou recentemente algumas sanções contra a Rússia, ao mesmo tempo que promoveu um acordo para que o país venda diesel aos Estados Unidos para enfrentar o aumento dos preços.
"O G20 já não é realmente um fórum em que os ministros das Relações Exteriores possam chegar a um acordo sobre uma declaração", afirmou uma fonte diplomática.
O governo Trump, que está a ponto de transferir o mandato rotativo do grupo ao Reino Unido, considera que a plataforma se desviou de sua missão principal.
Washington se comprometeu a devolver ao G20 o objetivo de impulsionar o crescimento econômico, ao argumentar que a segurança e a prosperidade econômica estão "intimamente relacionadas".
- "Prova de fogo" -
Os preços mundiais da energia dispararam desde que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, levou Teerã a bloquear o Estreito de Ormuz.
"Esta é a última prova de fogo que o G20 enfrenta, pelo menos sob a presidência americana do grupo, até Miami", afirmou à AFP Alisha Chhangani, do centro de estudos Atlantic Council.
Os resultados da reunião influenciarão os rumos da cúpula de dezembro.
Chhangani espera que Washington tente argumentar que as crises de segurança também são crises econômicas.
Os Estados Unidos provavelmente pressionarão por um acordo sobre o significado da "liberdade de navegação" dentro e fora do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo e gás, afirmou.
No entanto, isso poderia enfrentar objeções da China, que se opôs à formulação sobre a liberdade de navegação nessa passagem e em todo o mundo durante uma reunião anterior de ministros das Finanças.
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, não estará presente em Atlanta e, em seu lugar, enviará seu adjunto, informou o Departamento de Estado.
Enquanto isso, cresce o risco de uma escalada no Oriente Médio, já que Israel ameaça bombardear novamente o Irã e Trump deu a entender que poderia lançar um ataque após as eleições de meio de mandato de terça-feira.
R.Adler--BTB