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Pequenos Estados insulares responsabilizam países ricos pela crise climática
Afogados em dívidas e ameaçados de serem varridos do mapa pelos impactos devastadores do aquecimento global, os pequenos Estados insulares vulneráveis apontaram, nesta segunda-feira (27), a responsabilidade dos países ricos na crise climática e exigiram seu apoio.
Os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês) "estão na linha de frente de uma batalha contra uma confluência de crises que não causaram nem criaram", afirmou o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, anfitrião de uma conferência dedicada ao futuro destes países que deve se estender até a quinta-feira (30).
O principal ponto desta crise: os desastres climáticos que se multiplicam em um mundo que se aproxima do +1,5ºC, o limite mais ambicioso do Acordo de Paris de 2015.
"Os principais culpados da mudança climática fracassaram em suas obrigações de limitar seus efeitos, prejudicando gravemente os SIDS e o nosso planeta em geral", insistiu Browne.
"A crise climática nos destruirá", mas "o mundo está tomando o seu tempo enquanto nós sofremos, é injusto", acrescentou o presidente de Seychelles, Wavel Ramkalawan.
No Caribe, no Oceano Pacífico ou no Índico, esses países, com um total de 65 milhões de habitantes, enfrentam há muito tempo desafios específicos que os tornam particularmente sensíveis a choques externos: população dispersa, isolamento geográfico e economias pouco diversificadas e dependentes de importações.
Essas dificuldades são agravadas pela vulnerabilidade excepcional aos impactos crescentes do aquecimento global, pelos quais eles não são responsáveis: secas, enchentes, furacões e aumento do nível do mar que ameaçam literalmente varrer alguns deles do mapa.
- Energias renováveis -
"Não podemos aceitar o desaparecimento de um país ou de uma cultura sob o avanço das ondas", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura da conferência, ressaltando que estas pequenas ilhas não podem lutar "sozinhas" contra estes desafios.
"A ideia de que todo um Estado insular pode se tornar um dano colateral aos lucros da indústria dos combustíveis fósseis ou da concorrência entre as principais economias é simplesmente obscena", acrescentou.
A primeira de suas demandas é a aceleração da ação climática global para conter o aquecimento global, do qual eles são as primeiras vítimas, e um aumento no financiamento desse setor.
"O custo continuará aumentando e pagaremos por isso com cada vez mais vidas humanas se não atacarmos a raiz (do aquecimento): os combustíveis fósseis", acrescentou a presidente doas Ilhas Marshall, Hilda Heine.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ativação de medidas de adaptação para os impactos do aquecimento global nesses 39 países exigiria entre 4,7 e 7,3 bilhões de dólares (entre 24 e 37 bilhões de reais) por ano.
Mas a maioria deles é considerada país de renda média e, portanto, está excluída da ajuda internacional e do financiamento a taxas preferenciais dos bancos de desenvolvimento.
“Eles estão presos em uma terra de ninguém, onde não têm acesso à rede de segurança do financiamento da comunidade internacional”, lamenta Achim Steiner, diretor do PNUD, que defende a reforma do sistema financeiro internacional para eles.
Ainda mais porque a maioria deles também está sobrecarregada com dívidas pesadas. A ONU estima que, em 2024, eles gastarão 15,9% de sua renda apenas para pagar os juros dessa dívida.
Os pequenos Estados insulares acreditam que não terão sucesso sem assistência externa, embora ainda precisem se comprometer a fortalecer e diversificar suas economias para se tornarem mais resistentes a choques externos.
Entre seus eixos prioritários estão o desenvolvimento das energias renováveis e o impulsionamento da "economia azul" (por exemplo, através da pesca duradoura) em arquipélagos com territórios terrestres muito pequenos, mas que contam com 19% das Zonas Econômicas Exclusivas (espaço marítimo em que um Estado exerce sua soberania) do planeta.
Sem esquecer a promoção de um turismo mais responsável para preservar uma biodiversidade excepcional, especialmente os corais ameaçados que atraem anualmente os amantes de mergulho.
"Seu futuro é nosso futuro. Nossa terra, nossos oceanos, nosso planeta e, em último caso, todos nós precisamos de ações corajosas e determinadas", afirmou o rei Charles III em mensagem em vídeo.
J.Fankhauser--BTB