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Sem Trump, COP30 se esforça para 'derrotar' negacionismo climático
A COP30 teve início nesta segunda-feira (10), em Belém, com chamados para salvar os esforços globais contra as mudanças climáticas, frente ao negacionismo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou dar o tom do encontro desde o discurso de abertura: "É o momento de impor uma nova derrota aos negacionistas", disse Lula. "É muito mais barato" investir no clima do que travar guerras, ressaltou.
Os Estados Unidos, maior economia do mundo e segundo maior emissor de gases do efeito estufa, atrás da China, se ausentaram pela primeira vez de uma COP. Donald Trump chamou o aquecimento global de "maior fraude" da história.
Os países e ONGs participantes concordam em pelo menos um ponto em Belém: na defesa da ciência, que prevê que, sem uma ação urgente, coordenada e determinada, o mundo caminha para a catástrofe climática.
"A ausência dos Estados Unidos é um problema", mas "não vamos esperar que um negacionista climático decida o nosso futuro", disse Jasper Inventor, da Greenpeace Internacional. Por isso, o papel da China e da União Europeia, juntamente com o Brasil, é "crítico" para o avanço nas negociações, acrescentou.
- Chuva tropical -
Lula resistiu às críticas à realização da COP em Belém, para a qual se credenciaram 42 mil pessoas, apesar da falta de hotéis e da disparada dos preços.
O Brasil quer que o mundo abra os olhos para a Amazônia, e que os participantes do encontro mergulhem na vida amazônica da cidade. No primeiro dia, eles observaram a forte chuva tropical cair sobre o centro de convenções.
A maior floresta tropical do planeta, que tem um papel fundamental contra as mudanças climáticas por sua absorção de gases do efeito estufa, sofre com o desmatamento e o garimpo ilegal. Seus habitantes indígenas, considerados fundamentais para a proteção da Amazônia, querem ter suas vozes ouvidas na COP, juntamente com comunidades de outras regiões do planeta.
Os indígenas pedem para ser incluídos nas tomadas de decisão. "Estamos muito emocionados, mas também temos uma reivindicação forte, porque é a primeira vez que acontece em uma região amazônica", disse à AFP Monica Chuji, membro de uma comunidade indígena do Equador.
- Combustíveis fósseis -
Sobre a mesa, a maior incerteza consiste em como o mundo vai responder às projeções desastrosas sobre o clima e, como sempre, ao dinheiro.
"Lamentar não é uma estratégia. Precisamos de soluções", disse Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que pede há semanas resultados concretos.
Lula também propôs a apresentação de um "mapa do caminho" para o abandono progressivo das energias fósseis, uma promessa feita na COP28, em Dubai, mas que enfrenta o apoio renovado à indústria do petróleo, principalmente desde a eleição de Trump.
"A Europa concorda" que essa proposta entre na pauta, "mas é um tema sensível para nossos parceiros", disse uma fonte da delegação da França.
- 'Tóxica' -
A COP30 acontece dez anos depois do Acordo de Paris, que resultou no compromisso de limitar o aquecimento a 2°C e manter os esforços para contê-lo em 1,5°C em relação à era pré-industrial.
O objetivo, agora, é fazer o necessário para garantir que, se o limite de 1,5°C for ultrapassado, que seja pelo menor tempo possível, o que implica reduzir as emissões de gases do efeito estufa, originadas, principalmente, da combustão de petróleo, gás e carvão.
Um grupo de pequenas ilhas luta para que seja incluída na ordem do dia a necessidade de formular uma resposta para esse fracasso, mas o grupo de países árabes e outros se opõem.
A posição da Arábia Saudita, um grande produtor de petróleo, "é tóxica", considerou um diplomata ocidental. Um fracasso em manter o limite em 1,5°C "nos condenaria", advertiu, por sua vez, o ministro do Clima de Tuvalu, Maina Talia.
fbb-app-ico-jmi/ll/mar/mvv/aa-lb/am
M.Ouellet--BTB