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Proteger áreas marinhas permitiria aumentar pesca em 12%, segundo biólogo
Proteger 30% dos oceanos contribuiria para "repovoar o restante do mar" e, consequentemente, permitiria capturar aproximadamente "12% mais peixes" em nível global, afirmou o biólogo Enric Sala nesta quinta-feira (6).
Graças a um acordo adotado em dezembro de 2022 durante a Cúpula da Biodiversidade da ONU em Montreal, mais de 190 países se comprometeram a proteger 30% dos oceanos até 2030.
Atualmente, apenas 8% do mar do planeta está protegido de alguma forma da pesca e apenas 3% estão completamente protegidos, afirmou Sala, biólogo marinho e explorador da National Geographic, perante a Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington.
As áreas mais prioritárias estão dentro da Zona Econômica Exclusiva (ZEE), ou seja, as 200 milhas náuticas sobre as quais cada país costeiro tem jurisdição, explicou, durante uma sessão extraordinária do Conselho Permanente dedicada ao "Oceano e à biodiversidade marinha diante das mudanças climáticas".
É nessas áreas que ocorre "96% da pesca em nível global", afirma.
Se essas áreas forem protegidas, explica, "o mundo estaria pescando oito milhões de toneladas a mais (...) Estamos falando de 12% a mais de peixes que poderiam ser pescados em nível global".
É que "se protegermos as áreas adequadas, essas áreas podem ajudar a repovoar o restante do mar", garante o especialista, citando como exemplo o caso de Cabo Pulmo, no noroeste do México, que se tornou uma área protegida a pedido dos pescadores locais que estavam vendo uma escassez de peixes.
"Fomos lá em 1999 e era um deserto subaquático, mas quando voltamos 10 anos depois da proteção, tudo havia mudado, aquela área (...) se tornou um paraíso intocado com grande abundância de vida marinha, incluindo peixes grandes, como meros e tubarões", contou o explorador.
"Agora eles estão ganhando muito mais dinheiro levando mergulhadores para ver a área" e os pescadores ao redor do parque "estão pescando muito mais porque há um excesso de peixes da reserva para fora", detalhou.
O custo de proteger 30% dos oceanos é estimado em cerca de US$ 20 bilhões (R$ 98 bilhões, na cotação atual).
"Parece muito dinheiro, mas é o mesmo valor que os países do mundo usam para subsidiar a sobrepesca" e equivale a "um terço do que gastamos com sorvetes", disse, dirigindo-se a representantes dos países durante a sessão em que França e Costa Rica falaram sobre a Conferência da ONU sobre os Oceanos de 2025, que será realizada na cidade francesa de Nice (sul) e da qual são co-anfitriões.
Sala acrescentou que proteger 30% é apenas um "marco" e que a meta é "45%".
Em sua opinião, a conferência em Nice é uma oportunidade para que seja uma conferência "não de diálogo, não de debate, porque já temos bastante disso", mas "de ação".
F.Müller--BTB