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Guerra no Oriente Médio e Venezuela dominam fórum sobre petróleo em Houston
O efeito cascata desencadeado pela guerra no Oriente Médio está pautando a agenda do maior fórum mundial de petróleo, gás e energia, que tem início nesta segunda-feira (23) em Houston — um encontro no qual também serão discutidas as oportunidades na Venezuela, agora aliada de Donald Trump.
Milhares de executivos se reunirão por uma semana na CERAWeek, que deve contar com mais de 10.000 participantes. Os organizadores revisaram a programação: sessões especiais sobre a guerra foram incluídas na agenda após as ofensivas iniciais lançadas por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã.
O conflito ganhou uma nova dimensão nos últimos dias, com ataques diretos às instalações de produção de petróleo e gás — em vez de se restringirem a infraestruturas de armazenamento e transporte.
"Estamos testemunhando a maior perturbação na história do mercado global de petróleo", alertou Daniel Yergin, vice-presidente da S&P Global e presidente da conferência CERAWeek. "Nunca houve algo de tamanha magnitude", acrescentou.
Líderes empresariais, formuladores de políticas públicas, investidores e especialistas são aguardados a partir da manhã desta segunda-feira para debater o setor energético, o comércio internacional, a inteligência artificial, as terras raras e a fusão nuclear.
O fórum inicia com as declarações do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, na manhã desta segunda-feira e participantes atentos a comentários oficiais sobre o conflito ou novas medidas do governo Trump para conter a alta dos preços do petróleo.
- Venezuela e María Corina Machado -
Vários executivos de alto escalão do setor de energia são esperados ao longo da semana, incluindo Michael Wirth, da Chevron; Patrick Pouyanné, da TotalEnergies; Wael Sawan, da Shell; e Jack Fusco, da Cheniere Energy.
Como ocorreu em 2025, o ponto central do debate será a guinada de 180 graus do governo Trump sobre as políticas ambientais — optando, em vez disso, por uma maior exploração de carvão e petróleo.
Mais uma vez, ele retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e desmantelou diversas regulamentações ambientais adotadas por governos anteriores.
Suas decisões indignaram as ONGs ambientais. Um desses grupos, 'Texas Campaign for the Environment', convocou um protesto para o dia de abertura da CERAWeek.
A edição de 2026 contará com a líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, que discursará na terça-feira durante uma sessão sobre o "Futuro da Venezuela" — país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
A nação sul-americana havia ficado em segundo plano no setor energético, devido ao embargo petrolífero americano, ao controle do Estado pelo regime "chavista" e a uma infraestrutura de produção em ruínas.
No entanto, a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, por uma força de elite americana alterou o cenário. Washington suspendeu algumas de suas sanções e agora incentiva investimentos, na esperança de capitalizar sobre os recursos do país.
"Estou entusiasmada em mostrar ao mundo o que uma nova Venezuela alcançará ao liberar nosso ilimitado potencial energético", declarou Machado no X, em resposta ao convite da CERAWeek.
O.Krause--BTB