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Blinken acusa Rússia de 'atacar' sistema alimentar mundial
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, acusou as autoridades russas de “chantagem” por sua recente retirada do acordo para exportação de grãos ucranianos, durante sessão do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira (3).
O chefe da diplomacia americana, que presidia uma reunião sobre insegurança alimentar na sede das Nações Unidas em Nova York, disse aos 15 membros do órgão máximo da ONU para a garantia da paz no mundo que “a fome não deve ser transformada em arma” de guerra.
Blinken acusou a Rússia de “atacar” o sistema alimentar mundial na esteira de sua invasão da Ucrânia em fevereiro do ano passado e sua retirada, em julho, da chamada Iniciativa Grãos do Mar Negro. Esse acordo permitiu a exportação de cereais ucranianos durante o último ano.
As autoridades russas se negaram a estender o pacto, o que está repercutindo no aumento dos preços dos alimentos. Essa situação afeta, sobretudo, os países mais pobres.
“Cada membro deste Conselho, cada membro das Nações Unidas deveria dizer chega a Moscou. Chega de usar o Mar Negro como chantagem”, declarou Blinken, cujo país preside o Conselho de Segurança este mês.
“Chega de utilizar a população mais vulnerável do planeta. Chega desta guerra injustificada e desmedida”, acrescentou.
O acordo, assinado em julho de 2022 e apoiado pela ONU e a Turquia, país que atuou como mediador entre Ucrânia e Rússia, permitiu a venda de grãos ucranianos, apesar da guerra.
Moscou exige garantias em outro acordo para suas próprias exportações, especialmente de fertilizantes e produtos agrícolas.
Na quarta-feira (2), drones russos danificaram um porto ucraniano no Danúbio, em um novo ataque de Moscou contra instalações vitais para a saída de grãos da Ucrânia.
Blinken afirmou que os preços dos cereais subiram mais de 8% em todo o mundo desde o fim do acordo.
Washington pretende tornar público um "comunicado conjunto condenando o uso de alimentos como arma de guerra", assinado por 91 países, disse Blinken à ABC News.
Ele também anunciou 362 milhões de dólares (1,76 bilhão de reais, na cotação atual) para financiar programas de combate à insegurança alimentar e à desnutrição em uma dúzia de países africanos e no Haiti.
Cerca de 345 milhões de pessoas em 79 países sofrem de insegurança alimentar aguda. Além dos conflitos armados, os efeitos da mudança climática contribuem para a fome em muitos desses países.
burs-pdh/af/ll/ic/tt
C.Meier--BTB