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Presidente da Colômbia não sabia sobre dinheiro do narcotráfico na campanha, afirma filho
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, não sabia que o dinheiro de um chefe do narcotráfico financiou sua campanha, disse seu filho Nicolás em declarações publicadas neste sábado (5) pela revista colombiana Semana, nas quais admitiu que está afastado de seu pai.
"Nem meu pai nem o gerente da campanha, Ricardo Roa, sabiam do dinheiro que Daysuris (Vásquez, sua ex-mulher) e eu recebemos de Santander Lopesierra e de Gabriel Hilsaca", disse o político de 37 anos, a quem um juiz concedeu liberdade condicional na sexta-feira, depois de ser detido por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
Petro, por sua vez, negou neste sábado que sua campanha eleitoral teria sido financiada pelo narcotráfico.
"A campanha não recebeu nenhum dinheiro de caráter ilícito e fiquei sabendo do ocorrido em uma reunião que tive com a ex-mulher de Nicolás em meu gabinete há apenas alguns meses, quando pedi que investigassem meu filho", afirmou o governante na rede social X, antes conhecida como Twitter.
Em meio a um processo judicial, Nicolás, que foi preso há uma semana, revelou que repassou para a campanha de Petro parte dos 400 milhões de pesos (102 mil dólares ou 495 mil reais) que Samuel Santander Lopesierra, extraditado por narcotráfico para os Estados Unidos em 2003 e que deixou a prisão em 2021, entregou no ano passado.
Um dos filhos de Alfonso "el turco" Hilsaca, um negociante acusado no passado pelo Ministério Público de financiar grupos paramilitares e planejar homicídios, também repassou dinheiro a Nicolás, de acordo com Mario Burgos, promotor do caso que coloca o governo colombiano em situação delicada.
O presidente e Roa "não sabiam que eu utilizava parte desses aportes para a campanha. É importante fazer esse esclarecimento, mas há outras circunstâncias", acrescentou Nicolás.
- Respeito à justiça -
"Como eu disse antes, não pressionarei a justiça como presidente em seu caso, os funcionários judiciais que atuam em seu processo serão respeitados por mim", disse o presidente colombiano neste sábado.
Em um evento recente com agricultores em Sincelejo (Sucre, norte), Petro negou as supostas versões que indicam que ele sabia das movimentações.
"Se isto fosse verdade, este presidente teria que sair hoje", acrescentou o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, que na segunda-feira completará seu primeiro ano de governo.
Petro destacou que "o que nunca vai acontecer (...) é que se afirme que o atual presidente da República tenha sequer sugerido ou se tornado cúmplice de que um dos seus filhos ou filhas cometa crimes, porque isso não aconteceu".
Nicolás foi envolvido no escândalo depois que Vásquez o acusou de receber grandes quantias de dinheiro em espécie para ter uma vida de luxo na cidade de Barranquilla (norte), onde ele foi detido.
A mulher fez a denúncia após um episódio de infidelidade e também foi detida por lavagem de dinheiro e violação de dados pessoais. Ela é investigada no processo, mas se defenderá em liberdade.
Nicolás, que espera um filho com outra mulher, afirmou na entrevista à revista Semana que "o mais doloroso" é que pessoas como seu pai "viraram totalmente as costas".
"Tem meu pai, parentes, amigos, pessoas que percebi que queriam me usar. No momento em que isto aconteceu e viram que eu não era mais útil, começaram a virar as costas", disse Nicolás, que foi fundamental para as aspirações de Petro na região da costa caribenha, historicamente relutante à esquerda.
"A situação com meu pai não está boa há vários meses", admitiu.
Petro destacou neste sábado que o que aconteceu com seu filho é "terrível e muito lamentável". "Espero que algum dia eu possa falar com ele e consigamos nos perdoar".
"Eu conheci Nicolás na prisão. Mesmo nos momentos mais terríveis se aprende. Que todos os meus filhos e filhas, incluindo Nicolás e eu, consigamos virar seres humanos melhores com esta dura experiência", disse o ex-guerrilheiro do grupo M-19.
D.Schneider--BTB