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Bombeiros lutam contra as chamas em Mauí; mortos chegam a 55
Bombeiros lutavam, nesta sexta-feira (11), contra os incêndios florestais persistentes que mataram 55 pessoas na ilha havaiana de Mauí e devastaram uma cidade costeira histórica.
Equipes de busca e resgate com cães estavam a caminho para rastrear as vítimas do que o governador Josh Green disse ser "provavelmente o maior desastre natural da história do estado do Havaí".
"O que vimos hoje foi catastrófico", disse Green, após visitar Lahaina, cidade de 12 mil habitantes, que foi capital do reino do Havaí no começo do século XIX.
Autoridades do condado de Mauí informaram na noite de quinta-feira (madrugada de sexta no Brasil) que o número de mortos chegou a 55.
O governador Green alertou que se espera que o número de vítimas fatais aumente "muito significativamente" e que 80% da cidade estão "completamente destruídos".
As chamas devastaram mais de 800 hectares em duas ilhas do arquipélago americano e forçaram a evacuação de milhares de pessoas, algumas das quais se atiraram na água para se proteger do fogo.
O presidente americano, Joe Biden, declarou na quinta-feira estado de catástrofe natural para o Havaí, o que permitirá liberar "fundos federais à disposição dos afetados no condado de Mauí", explicou a Casa Branca em nota.
O papa Francisco manifestou "profunda tristeza" pela tragédia.
O fogo começou na madrugada de terça-feira e seu avanço rápido pôs em risco residências, empresas e serviços públicos, assim como mais de 35.000 pessoas na ilha de Mauí, informou a Agência de Gestão de Emergências do Havaí.
"Não resta nada, tudo foi embora, é um povoado fantasma", disse Sarai Cruz, de 28 anos, que fugiu de Lahaina com os pais, a irmã e seus três filhos.
Brandon Wilson, um canadense que viajou ao Havaí com a esposa para comemorar os 25 anos de casamento, disse que "realmente parece que alguém chegou e bombardeou toda a cidade".
Imagens divulgadas pelas redes sociais mostram as brasas destruindo a cidade turística, densas colunas de fumaça tingindo o céu de preto e vários barcos atracados também em chamas.
Ao menos cem moradores da região pularam na água para fugir do fogo, informou à CNN a comandante da Guarda-costeira Aja Kirksey, que ressaltou que cerca de 50 pessoas tiveram que ser resgatadas do mar.
Também foram declarados incêndios na Ilha Grande (Big Island) do Havaí, mas as autoridades disseram que as chamas estavam sob controle nesta quinta.
- "Cadáveres na água" -
"Ainda temos cadáveres na água, flutuando, e no quebra-mar", comentou Kekoa Lansford, outra moradora, à CBS. "Tiramos gente (...) Estamos tentando salvar suas vidas e sinto que não estamos recebendo a ajuda de que necessitamos".
Militares americanos mobilizaram três helicópteros para ajudar no combate aos incêndios, informou, em nota, o Comando Indo-Pacífico.
As aeronaves militares que ajudam os bombeiros usaram na quarta-feira 570.000 litros d'água para controlar os incêndios no condado de Mauí.
A rede hospitalar da ilha está "saturada" com pacientes com queimaduras e pessoas que inalaram fumaça, disse a vice-governadora do Havaí, Sylvia Luke, que descreveu a situação como "dramática".
Luke disse, ainda, que os incêndios foram causados pelas condições de seca e os fortes ventos do furacão Dora, que está ao sul do arquipélago, mas não se espera que toque o solo.
As autoridades do condado pediram a todos os visitantes para deixarem a ilha "o quanto antes" e organizaram ônibus para levar os turistas para o aeroporto de Kahului, segundo nota publicada no Facebook.
Segundo informação oficial, no terminal aéreo pelo menos 1.400 turistas ficaram bloqueados, pois seus voos foram cancelados ou atrasaram. Jornalistas da AFP viram muitas pessoas dormindo no chão.
O.Lorenz--BTB