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Exército alemão se moderniza, mas ainda está longe de seu objetivo
De quartéis em mau estado à falta de efetivos, o Exército alemão "tem muito pouco de tudo" para corresponder às suas ambições, segundo um relatório publicado nesta terça-feira (11).
"Melhorias foram conquistadas e muitas coisas realizadas", disse à imprensa a comissária de Defesa do Parlamento, Eva Högl. "Mas ainda não atingimos a meta e ainda há muito a fazer", acrescentou.
O futuro chanceler Friedrich Merz prometeu aumentar consideravelmente os gastos militares diante das crescentes ameaças à segurança da Alemanha e da Europa.
A necessidade de um exército "totalmente operacional" é mais importante do que nunca em um contexto internacional dominado pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, mas também pela política "preocupante do aliado americano", destacou Högl na apresentação de seu relatório anual.
Será uma das prioridades do novo governo que os conservadores de Merz, vencedores das eleições de 23 de fevereiro, tentam formar com os sociais-democratas do chanceler em final de mandato Olaf Scholz.
Graças aos fundos liberados pela Alemanha desde o início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022, o relatório é menos alarmista do que nos anos anteriores, pois "as coisas estão finalmente mudando" após várias décadas de subinvestimento.
Coletes, capacetes e outros equipamentos básicos estão "finalmente disponíveis em número suficiente", disse a comissária.
No entanto, as deficiências do Bundeswehr continuam as mesmas: falta de pessoal, de equipamentos modernos e de infraestrutura, como os quartéis, que estão "em grande parte em ruínas", acrescentou, lamentando "uma burocracia injustificável" e a digitalização que "não avança".
Dos 100 bilhões de euros (cerca de 630 bilhões de reais) do fundo especial para a defesa criado por Scholz em resposta à invasão russa da Ucrânia, 82% já foram utilizados, diz o relatório.
- Serviço de interesse geral obrigatório? -
O conservador Merz e os social-democratas anunciaram sua intenção de aumentar os gastos com defesa em uma escala sem precedentes, liberando-se das regras de disciplina fiscal.
O objetivo seria garantir pelo menos 100 bilhões de euros por ano para o orçamento de defesa, o dobro do previsto atualmente.
Isso deixaria a Alemanha mais próxima do limite anual de 3% do PIB destinado à defesa, a nova meta dos países da Otan para um futuro próximo.
Graças a um fundo especial criado após a invasão da Ucrânia, a Alemanha conseguiu gastar 2% do seu PIB em despesas militares no ano passado.
"Um orçamento de defesa suficiente, independente de um fundo especial, continua sendo indispensável" para o Exército alemão, disse Högl.
"Esse dinheiro deve ser investido em drones, satélites, inteligência artificial, mais defesa aérea e digitalização", destacou.
Quanto às necessidades de investimento, ultrapassaram 72,6 bilhões de dólares (423 bilhões de reais) até o final de 2024, segundo a comissária, principalmente para reformar os quartéis.
O exército também necessita de equipamentos pesados em bom estado e peças de reposição, especialmente devido ao "envio significativo de material para a Ucrânia", que tem a Alemanha como um dos principais fornecedores, disse a comissária.
O contingente continua muito insuficiente. O Bundeswehr "não está nem perto de atingir sua meta de 203.000 soldados até 2031", lamenta. No final de 2024, havia 181.174 soldados ativos, 340 a menos que no ano anterior.
A idade média aumentou de 32,4 anos em 2019 para 34 anos. O Exército está "reduzindo e envelhecendo", uma tendência que deve "ser interrompida e revertida urgentemente", destacou.
Neste contexto, a comissária expressa cautela quanto ao retorno do serviço militar obrigatório, abandonado em 2011.
Os conservadores, que há muito tempo são a favor da reintrodução dos serviços de interesse geral obrigatórios para os jovens, reacenderam o debate nos últimos dias.
Nesse momento, o alistamento "sobrecarregaria o Exército", estimou Högl, devido à falta de alojamentos, equipamentos e instrutores.
A.Gasser--BTB