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Centenas de caminhoneiros estão parados no Paraguai por falta de pagamento de combustíveis pela Bolívia
Mais de 600 caminhões-tanque bolivianos aguardam há semanas nos arredores de Assunção, em condições precárias, para transportar gasolina e diesel porque, segundo fontes do setor, seu governo não pagou ao fornecedor de combustível.
A Bolívia atravessa uma crise econômica desde 2023 derivada da falta de dólares que, entre outras coisas, minou sua capacidade de adquirir combustível dos importadores.
"Cheguei com a esperança de pegar a carga e retornar, mas, infelizmente, me deparei com muitos colegas numa situação incerta. Ninguém sabe quando vai carregar" seu caminhão, disse nesta terça-feira (15) à AFP o caminhoneiro Carlos Herebia, que está há duas semanas esperando. Outros, denunciam, esperam há 30 ou 40 dias.
Herebia, de 37 anos, planejava voltar para casa antes da Semana Santa, mas seu caminhão-tanque, assim como centenas de veículos, está em um parque fechado conhecido como El Avispón, na localidade de San Antonio, perto da capital paraguaia.
Outra centena de veículos faz fila nos arredores deste parque, às margens do rio Paraguai, ao ar livre e em más condições de salubridade. As autoridades de San Antonio instalaram alguns banheiros químicos no local, mas são insuficientes.
Na semana passada, o dirigente do sindicato do setor na Bolívia, Domingo Ramos, afirmou que centenas de caminhoneiros aguardavam no Paraguai o pagamento por combustível para retomar as atividades de carga e transporte.
"Os senhores da ANH [Agência Nacional de Hidrocarbonetos] e YPFB [Reservas Petrolíferas Fiscais Bolivianas] estão apenas prolongando a agonia deste governo e de todos os transportadores", acusou Ramos, de acordo com o meio local Unitel.
A Bolívia compra combustíveis de países vizinhos a preços internacionais e os vende no mercado interno a um custo subsidiado. Este subsídio, além do declínio das exportações de seu gás natural, resulta em grande parte na escassez de dólares que o país enfrenta.
A incapacidade de pagamento aos importadores fez com que, na Bolívia, motoristas de veículos profissionais e particulares esperem por horas nos postos de gasolina para abastecer.
No ano passado, oito caminhoneiros bolivianos morreram no Paraguai, por causas diversas, sobretudo vítimas da precariedade da situação e das altas temperaturas.
"Eu venho há cinco anos ao Paraguai e é cada vez pior. Somos mais de 600 caminhões, a maioria de 35 mil a 37 mil litros. Os que não estão no parque estão do lado de fora. E continuam vindo, ou seja, eles continuam nos enviando do nosso país. Já não temos onde parar", descreveu Herebia.
"Nem sequer temos acesso a água potável", denunciou.
O.Lorenz--BTB