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Maduro pede que 200.000 professores voltem às salas de aula em meio a escassez na Venezuela
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu, nesta segunda-feira (30), a cerca de 200.000 professores que retornem ao sistema educacional, em meio a uma crise marcada pela escassez de docentes devido a anos de salários baixos e à evasão de aproximadamente três milhões de estudantes.
Maduro anunciou, no início do ano letivo 2024-2025, um plano para "elevar" a qualidade de vida de cerca de 500.000 professores, cujos salários médios são de cerca de 10 dólares (R$ 54,5) mensais, complementados por um bônus alimentício de 40 dólares (R$ 218) que não incide em benefícios sociais.
De acordo com um estudo da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), este país sul-americano de 30 milhões de habitantes possui cerca de 350.000 professores em atividade, com uma carência de aproximadamente 250.000.
"Temos mais de 200.000 docentes em diversas atividades públicas e eu peço a todos os docentes, faço um chamado por amor à vocação, pelo amor que têm a este país, para que voltem às salas de aula", disse o mandatário esquerdista em um pronunciamento na televisão e no rádio.
Maduro prometeu, com seu plano, fortalecer programas de acesso à moradia, saúde e alimentação, além de subsídios de transporte e créditos.
Nesta segunda-feira, mais de 5,5 milhões de alunos de pré-escola, ensinos fundamental e médio iniciaram o ano letivo, disse o ministro da Educação, Héctor Rodríguez.
O governo reportava em anos anteriores matrículas de mais de 8 milhões de estudantes.
A Federação Venezuelana de Professores (FVM) denunciou em um comunicado que cerca de três milhões de crianças e jovens "estão fora do sistema escolar", um problema que se soma à carência de educadores.
"Os docentes estão desmotivados, desmoralizados, desanimados, com baixa autoestima, preocupados devido à sua situação trabalhista, econômica e social", afirmou a FVM no texto, divulgado em 16 de setembro.
De acordo com estimativas de especialistas da UCAB, uma das universidades mais importantes do país, cerca de 96.000 professores migraram, o que agravou a carência. Mais de 7 milhões de venezuelanos deixaram o país na última década, segundo a ONU.
A federação de professores apontou que "a crise alimentar" é "uma das principais causas" da evasão de docentes e estudantes.
Maduro afirma que as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos para forçar sua saída do poder são a raiz da crise.
"Um dos setores mais afetados foram os professores", admitiu o mandatário, proclamado reeleito para um terceiro período consecutivo (2025-2031) em meio a denúncias de fraude por parte da oposição.
Protestos de professores em busca de reivindicações acontecem com frequência na Venezuela.
G.Schulte--BTB