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Cuba e EUA estão em 'comunicação', mas 'não existe diálogo', diz vice-chanceler
Cuba e Estados Unidos estão em "comunicação" e trocaram "mensagens", mas "não existe um diálogo" entre os dois países como garantiu o presidente americano Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (2) o vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío.
"Não existe um diálogo especificamente neste momento, mas sim houve troca de mensagens", disse De Cossío em entrevista à AFP. "Sim, é verdade que houve comunicação entre os dois governos", indicou.
Trump disse no domingo que havia iniciado conversas com autoridades de Cuba e que considerava a possibilidade de um acordo, uma ideia que repetiu nesta segunda-feira no Salão Oval, enquanto Washington pressiona Havana após a deposição forçada e subsequente captura do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro, o principal aliado de Cuba.
De Cossío reiterou a disposição de seu país para dialogar com o governo americano.
"Um diálogo que seja sério, responsável, baseado no direito internacional, no respeito à igualdade soberana de nossos Estados e que conduza a uma relação respeitosa entre os dois países", afirmou.
Trump, que já cortou o fluxo de petróleo e a ajuda da Venezuela para Cuba, assinou na quinta-feira um decreto no qual ameaça impor tarifas aos países que venderem petróleo à ilha, por considerar que ela representa uma "ameaça excepcional" à segurança nacional dos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira, o mandatário republicano assegurou que o México deixará de fornecer petróleo a Cuba.
Cuba "é uma nação falida. O México vai deixar de lhes enviar petróleo", disse Trump durante um encontro com jornalistas no Salão Oval.
No domingo, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou sua intenção de enviar ajuda humanitária à nação caribenha e disse estar trabalhando em uma forma de continuar enviando petróleo.
Cuba enfrenta há seis anos uma grave crise econômica, com escassez de todo tipo de produtos e longos apagões, devido aos efeitos combinados do endurecimento das sanções americanas, em vigor desde 1962, da baixa produtividade de sua economia centralizada e do colapso do turismo.
Soma-se, ainda, o impacto da interrupção no fornecimento de petróleo venezuelano, o que deixou a ilha comunista ainda mais vulnerável e aprofundou a escassez de combustível e os apagões que, em Havana, já ultrapassam 10 horas.
L.Dubois--BTB