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Recurso judicial contra eleições internas na oposição da Venezuela avança
Um recurso judicial contra as primárias da oposição venezuelana, visando as eleições presidenciais de 2024, avança com a atribuição do caso a uma magistrada da suprema corte, próxima ao partido do presidente Nicolás Maduro.
"Viemos anunciar que o recurso constitucional foi designado à magistrada Caryslia Beatriz Rodríguez como relatora", afirmou Luis Ratti, empresário distanciado do chavismo, que em 30 de junho entrou com um recurso perante o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) contra as primárias da oposição, previstas para outubro.
Ratti faz parte de uma facção da oposição que rompeu com os partidos tradicionais, que, por sua vez, o acusam de servir a Maduro.
O líder alegou que as primárias estão se tornando um instrumento para gerar "um conflito violento".
A magistrada Rodríguez foi prefeita de Caracas entre agosto e novembro de 2021, com o apoio do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), após a renúncia do titular do cargo.
Ela expressou "profunda lealdade ao processo bolivariano" e a Maduro quando foi empossada na prefeitura.
Ratti anunciou suas intenções de se candidatar às eleições presidenciais. Ele já o fez em 2018, quando Maduro foi reeleito em meio a denúncias de "fraude" e boicote dos principais partidos da oposição.
As primárias de 22 de outubro são organizadas por uma comissão de professores, advogados e consultores, que encerrou as inscrições em 24 de junho com 14 candidatos, incluindo a ex-deputada María Corina Machado, da ala mais radical da oposição, o candidato presidencial em duas ocasiões Henrique Capriles, e Freddy Superlano, que se inscreveu em substituição a Juan Guaidó quando este fugiu para os Estados Unidos.
Os três estão impedidos pela Controladoria-Geral de participar da disputa eleitoral, uma situação criticada por Washington e pela União Europeia.
Ratti, que não está entre os candidatos, argumenta que permitir que eles participem é uma "manipulação".
"Vejo que um indivíduo com o sobrenome Ratti ou Rata (rato, em espanhol), acho que é a mesma coisa, compareceu hoje ao tribunal controlado por Maduro para ir contra as primárias (...), isso é outro ataque contra aqueles que querem mudança", reagiu duramente Capriles em uma transmissão online.
O TSJ pró-governo anulou em 2016 um referendo para revogar o mandato de Maduro, após o chavismo denunciar irregularidades.
As primárias também sofreram um golpe com a renúncia da diretoria do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), cujo apoio técnico chegou a ser considerado, mas foi descartado devido à futura nomeação de novas autoridades no Parlamento, controlado pelo chavismo.
A comissão então anunciou que haverá uma votação manual.
F.Pavlenko--BTB