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Separatista Carles Puigdemont reaparece brevemente na Espanha
"Viva a Catalunha!", disse o líder separatista Carles Puigdemont a milhares de apoiadores, em uma breve reaparição nesta quinta-feira (8) em Barcelona depois de passar quase sete anos fora da Espanha, antes de desaparecer novamente sem participar da sessão para eleger o novo presidente regional.
"Não sei quanto tempo vai demorar até nos vermos novamente, amigos, mas aconteça o que acontecer, quando voltarmos a nos ver, espero que possamos voltar a gritar juntos bem alto (...) Viva a Catalunha!" , disse de um palco Puigdemont, em meio a gritos de "presidente, presidente".
Após o breve discurso, cogitou-se que Puigdemont, alvo de um mandado de prisão, seguiria ao Parlamento, para tentar participar da sessão de posse.
Mas a sessão começou por volta das 10h00 locais (5h00 em Brasília) e o ex-presidente catalão não estava ao lado de seus colegas do partido Juntos pela Catalunha (JxCAT).
Na entrada do Parlamento, fortemente vigiada pela polícia, reinava a confusão, observaram jornalistas da AFP.
A polícia catalã estabeleceu postos de controle para impedir que Puigdemont saísse de Barcelona ou da região da Catalunha.
Em um destes postos, a polícia confirmou a um jornalista da AFPTV que estava à procura do separatista de 61 anos.
Um oficial da 'Mossos d'Esquadra', a polícia regional, foi detido por supostamente ter colaborado com a fuga, disse à AFP um porta-voz da força de segurança, sem revelar mais detalhes.
Segundo a imprensa local, o agente era dono do veículo com o qual Puigdemont fugiu após fazer seu discurso no palco montado perto do Parlamento catalão.
- "Me emocionei ao vê-lo" -
A breve aparição da figura-chave do separatismo, que liderou a região durante a tentativa fracassada de secessão em outubro de 2017, emocionou apoiadores, que o saudaram agitando bandeiras pró-independência.
"Gostei muito do tom dele, nada exaltado, me emocionei ao vê-lo", disse Albert, manifestante de Barcelona .
"Um país que tem uma lei de anistia e que não anistia, tem um problema de natureza democrática", disse Puigdemont, que se refugiou na Bélgica, antes de se mudar para o sul de França, onde fez campanha para as eleições catalãs em maio.
Ele se referiu à lei promovida pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em troca do apoio do JxCAT para ser reeleito em novembro de 2023.
Mas, em 1º de julho, o Tribunal Supremo determinou que a anistia não se aplicava a Puigdemont na acusação por peculato, pela qual poderia ser condenado a uma dura pena de prisão.
No vídeo em que anunciou seu retorno, o líder disse que "responderia" ao "desafio" de alguns juízes, que com uma "atitude de rebelião" não aplicaram a anistia.
As consequências do retorno de Puigdemont ainda são incertas, mas podem atrasar a posse do socialista Salvador Illa como presidente regional.
O secretário-geral do JxCAT, Jordi Turull, anunciou que caso Puigdemont seja preso solicitará a suspensão da sessão.
Após meses de bloqueio e intensas negociações desde as eleições de maio, quando os socialistas venceram sem maioria absoluta, a rica região deverá finalmente ter Illa como seu novo presidente nesta quinta-feira.
A cerimônia de posse encerrará o prazo que termina em 26 de agosto para evitar uma repetição das eleições caso não haja um novo chefe do Executivo regional.
Se confirmado, Illa, ministro da Saúde espanhol durante a pandemia de covid-19 e próximo de Pedro Sánchez, será o primeiro presidente catalão que não faz parte de um partido nacionalista ou separatista desde 2010.
S.Keller--BTB