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Brasil, Colômbia e México reforçam pedido de divulgação de atas na Venezuela
Brasil, Colômbia e México reforçaram nesta quinta-feira (8) seu pedido para que a autoridade eleitoral da Venezuela divulgue as atas das eleições presidenciais, em que Nicolás Maduro foi proclamado vencedor. Os Estados Unidos advertiram que o presidente venezuelano sofrerá uma pressão internacional intensa se os líderes opositores forem presos.
Maduro anunciou a suspensão por 10 dias da rede social X, alegando que ela violou suas próprias normas em meio ao que chamou de "ataque" à sua reeleição.
Os Estados Unidos, a União Europeia e países latino-americanos pediram a divulgação das atas. Em meio à controvérsia, Maduro recorreu ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de servir ao chavismo, para lhe pedir que “certifique” a eleição, por meio de um processo que acadêmicos e líderes políticos consideram improcedente.
Brasil, Colômbia e México fazem esforços diplomáticos por soluções para a crise desencadeada após as eleições venezuelanas, e declararam hoje em comunicado conjunto que partem "da premissa de que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) é o órgão ao qual corresponde, por mandato legal, a divulgação transparente dos resultados eleitorais".
O tribunal iniciou o processo ontem e convocou os candidatos e representantes de partidos, mas o candidato opositor Edmundo González Urrutia não atendeu à convocação, alegando “absoluta vulnerabilidade". O TSJ advertiu que o não comparecimento terá consequências legais. Maduro deve comparecer amanhã.
-'Histeria'-
O CNE proclamou Maduro vencedor do pleito com 52% dos votos, mas não divulgou detalhes da apuração, alegando que seu sistema sofreu um ataque hacker.
González Urrutia, um diplomata discreto lançado como candidato devido à inelegibilidade de María Corina Machado por uma decisão do TSJ, desobedeceu a duas convocações da corte máxima. Tanto ele quanto María Corina limitaram suas aparições públicas, e a opositora disse temer pela própria vida.
A oposição afirma ter 80% das atas digitalizadas em um site que comprova a vitória de González Urrutia, mas o governo de Maduro diz se tratar de um material repleto de inconsistências.
Após os resultados das eleições realizadas em 28 de julho, protestos eclodiram em todo o país e deixaram pelo menos 24 mortos, segundo organizações de direitos humanos. María Corina Machado advertiu nesta quinta-feira o governo mexicano sobre uma "onda migratória" inédita de venezuelanos se Maduro permanecer no poder.
"O que têm essas tão alardeadas atas, que causaram uma espécie de histeria internacional procedente de Washington e de alguns governos satélites?", ironizou hoje a vice-presidente Delcy Rodríguez, durante encontro com membros do corpo diplomático em Caracas.
"Há uma histeria internacional sobre as atas, poderiam até fazer uma série na Netflix, 'As atas na Venezuela, histeria coletiva', me desculpe, embaixador da França, mas ofuscaram até as Olimpíadas, as atas ofuscaram as Olimpíadas na França, porque há uma histeria com as atas", concluiu Delcy.
Em meio às denúncias de fraude eleitoral, Maduro pediu a prisão de González Urrutia e María Corina.
- Subida de tom -
Washington, que lidera o endurecimento das sanções contra a Venezuela desde 2019, subiu o tom nesta quinta-feira, advertindo que a prisão dos líderes poderia "mobilizar ainda mais a comunidade internacional", incluindo os países que têm melhor relação com a Venezuela.
"Se Maduro decidir fazer isso, ele ativará a comunidade internacional de formas que não poderia imaginar, e acho que seus esforços para dividir a comunidade internacional terão fracassado rotundamente", disse o embaixador dos Estados Unidos junto à OEA, Francisco Mora.
Washington não tomou nenhuma medida concreta contra Caracas. Segundo Mora, o governo Joe Biden quer dar espaço ao Brasil, à Colômbia e ao México para que possam “encontrar uma forma de avançar”.
María Corina deu um voto de confiança aos esforços desses três países, ao dizer que não descarta que eles consigam "uma solução eficaz” para a Venezuela por meio da negociação.
Maduro continuou denunciando um golpe de Estado e ordenou hoje a suspensão por 10 dias da rede social X no país, após acusar seu proprietário, Elon Musk, de incitação ao ódio e ao fascismo em meio a "um ataque" contra a sua reeleição.
"Assinei um memorando com a proposta feita pela Conatel", órgão responsável pelas telecomunicações no país, para "retirar de circulação a rede social X, antes conhecida como Twitter, por 10 dias na Venezuela", declarou Maduro durante ato no palácio presidencial, sem informar quando a medida entrará em vigor.
L.Janezki--BTB