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Rússia mobiliza tropas e armas para enfrentar incursão ucraniana na região fronteiriça
A Rússia anunciou nesta sexta-feira (9) o envio de mais tropas e armas para travar a incursão ucraniana que começou há quatro dias na região fronteiriça russa de Kursk, onde ocorrem intensos combates.
A incursão em Kursk é o ataque mais significativo de Kiev contra a Rússia desde que Moscou lançou sua invasão contra o seu vizinho em fevereiro de 2022.
Moscou está enviando unidades equipadas com "lançadores múltiplos de foguetes BM-21 Grad, peças de artilharia recauchutadas, tanques [...], veículos Ural e Kamaz" para a região de Kursk, informou o Ministério da Defesa russo, citado por agências de notícias de seu país.
Segundo o Exército russo, participam cerca de 1.000 soldados e mais de vinte veículos blindados e tanques.
A Ucrânia não assumiu oficialmente a responsabilidade pela operação, mas seu presidente, Volodimir Zelensky, disse na quinta-feira que a Rússia deve "sentir" as consequências da sua ofensiva.
"A Rússia trouxe a guerra à nossa terra e deve sentir o que fez", disse Zelensky, sem se referir diretamente à incursão.
O Exército russo afirmou nesta sexta-feira que ainda luta em Kursk. "Continuamos repelindo a tentativa de incursão das forças armadas ucranianas no território da Federação Russa", declarou o Ministério da Defesa russo.
A entidade confirmou ainda que as tropas de Kiev chegaram à cidade de Sudzha, a cerca de dez quilômetros da fronteira. A cidade, com 5.500 habitantes, é fundamental para o transporte de gás para a Europa através da Ucrânia.
A incursão de terça-feira representa um revés inesperado para o Kremlin, que nos últimos meses registrou vitórias importantes no leste da ex-república soviética, contra tropas ucranianas reduzidas.
- Evacuações em massa -
A polícia ucraniana disse que milhares de pessoas precisaram ser evacuadas de áreas próximas à fronteira com a região russa de Kursk.
"Cerca de 20 mil pessoas precisam ser evacuadas" de 28 abrigos na região de Sumy, disseram os militares nesta sexta-feira.
De manhã cedo, autoridades de diferentes regiões russas alertaram sobre ataques aéreos.
O Exército ucraniano assumiu a responsabilidade pelo bombardeio de uma base aérea militar russa na região de Lipetsk e garantiu que atingiu "depósitos com bombas aéreas guiadas", muito utilizadas por Moscou na Ucrânia.
O Estado-Maior ucraniano também afirmou que a base abrigava bombardeiros táticos e caças.
As agências de notícias russas Tass e Ria Novosti, citando autoridades regionais, relataram que houve um incêndio nas instalações.
O governador regional de Lipetsk, Igor Artamonov, alertou para "um ataque maciço de drones" que deixou pelo menos seis feridos e decretou estado de emergência.
Ele também ordenou a evacuação de quatro vilarejos ao redor da cidade devido ao ataque, que causou danos a uma usina e cortes de energia.
O Ministério da Defesa russo informou que um total de 75 aeronaves foram derrubadas em regiões como Belgorod, Kursk, Lipetsk e na península anexada da Crimeia.
- Avanços territoriais -
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, disse que as tropas ucranianas obtiveram ganhos territoriais significativos desde o início da incursão na terça-feira.
"Vídeos com geolocalização e denúncias russas indicam que as forças ucranianas avançaram rapidamente na região de Kursk em 8 de agosto, e as forças ucranianas estariam presentes em áreas até 35 quilômetros de distância da fronteira", afirmou este centro.
No entanto, "muito provavelmente" as forças de Kiev "não controlam" todo esse território, disse ele.
O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou uma "provocação em grande escala" e o principal general do país prometeu aniquilar a incursão.
Os aliados internacionais da Ucrânia ficaram surpresos. O Departamento de Estado americano expressou apoio a Kiev, mas não comentou diretamente a operação.
Na região oriental de Donetsk, na Ucrânia, pelo menos seis civis foram mortos por bombardeios russos, disse o governador de Kiev da região, Vadym Filashkin.
Segundo esta fonte, Moscou bombardeou 14 cidades da região de Donetsk nas últimas 24 horas, incluindo Kostiantynivka, onde 10 pessoas morreram e 35 ficaram feridas em um ataque a um supermercado.
Um total de 617 pessoas, incluindo 253 crianças, tiveram que ser evacuadas da área, segundo o governador.
F.Pavlenko--BTB