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Rússia envia mais tropas e armas para enfrentar incursão ucraniana em região fronteiriça
A Rússia enviou mais tropas e armas nesta sexta-feira (9) para conter a incursão ucraniana iniciada há quatro dias na região de Kursk, em uma reviravolta inesperada na guerra, travada há dois anos e meio quase que exclusivamente em território ucraniano.
No leste da Ucrânia, que continua sendo o epicentro do conflito, pelo menos 14 pessoas morreram em um bombardeio russo contra um supermercado, segundo os serviços de emergência.
O Ministério da Defesa russo informou nesta sexta que suas tropas continuavam "repelindo a tentativa de incursão" e que havia enviado mais armamento e efetivos para a região fronteiriça de Kursk.
Na lista figuram "lançadores múltiplos de foguetes BM-21 Grad, peças de artilharia rebocadas, tanques [...] e veículos Ural e Kamaz", enumerou o Ministério, citado pelas agências de notícias russas.
O órgão confirmou ainda que as tropas de Kiev haviam alcançado a cidade de Sudzha, a cerca de dez quilômetros da fronteira. A localidade, de 5.500 habitantes, é crucial para o envio de gás a países da União Europeia através da Ucrânia.
Segundo o Exército russo, cerca de 1.000 soldados e mais de duas dezenas de blindados e tanques ucranianos participam da incursão.
Trata-se do ataque mais significativo contra a Rússia desde o início da invasão à Ucrânia em fevereiro de 2022.
A Ucrânia não assumiu oficialmente a autoria, mas o presidente Volodimir Zelensky considerou na quinta-feira que os russos agora se veem confrontados com os infortúnios da guerra. "A Rússia trouxe a guerra para o nosso país e deve sentir" seus efeitos, afirmou, sem mencionar diretamente a incursão.
Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um centro de pesquisa com sede nos Estados Unidos, as tropas ucranianas penetraram até 35 km dentro do território russo.
Esta operação representa um revés inesperado para o Kremlin, que nos últimos meses registrou importantes vitórias no leste da Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou uma "provocação em grande escala" enquanto o general de maior patente do país prometeu esmagar a incursão.
Vários meios de comunicação russos divulgaram um vídeo que supostamente mostrava moradores de Sudzha pedindo ajuda a Putin.
"Em poucas horas, nossa localidade ficou em ruínas (...) Nossos familiares estão ficando para trás, não podemos contatá-los, não há comunicação. Por favor, ajudem-nos a recuperar nossa terra", declara um deles.
- Ao menos 14 mortos no leste da Ucrânia -
Na região ucraniana de Sumy, que faz fronteira com a de Kursk, a polícia indicou que "cerca de 20.000 pessoas precisaram ser evacuadas" de 28 localidades devido aos ataques russos.
Em Donetsk, no leste da Ucrânia, pelo menos 14 pessoas morreram e 43 ficaram feridas em um ataque contra um supermercado na cidade de Kostiantynivka, segundo o último balanço dos serviços de emergência.
"A Rússia terá que prestar contas por este terror", escreveu Zelensky no Telegram.
Uma equipe da AFP relatou dezenas de pessoas fugindo do local.
O governador regional, Vadym Filashkin, informou no Telegram que cerca de 50 pessoas estavam no supermercado no momento do bombardeio e que os socorristas estavam à procura de possíveis vítimas entre os escombros.
Filashkin havia informado anteriormente as mortes de outros quatro civis em bombardeios russos na região.
- Avanços territoriais -
Paralelamente, o Exército ucraniano reivindicou o bombardeio contra uma base aérea militar russa na região de Lipetsk e assegurou que atingiu "depósitos com bombas aéreas guiadas", usadas exaustivamente por Moscou nos ataques contra a Ucrânia.
O Estado-Maior ucraniano também afirmou que a base abrigava bombardeiros táticos e aviões de combate. As agências de notícias russas Tass e Ria Novosti, citando as autoridades regionais, indicaram que um incêndio teve início nas instalações.
O governador regional de Lipetsk, Ígor Artamónov, alertou sobre "um ataque massivo de drones" que deixou pelo menos seis feridos e decretou estado de emergência.
O Ministério da Defesa russo comunicou que um total de 75 drones foram derrubados em regiões como Belgorod, Kursk e Lipetsk e na península anexada da Crimeia.
J.Bergmann--BTB