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Presidenciáveis apostam últimas fichas antes de eleições no Equador
Os candidatos à Presidência do Equador fizeram nesta quinta-feira (6) sua última tentativa de atrair os eleitores indecisos, no encerramento de uma campanha dominada pelo aumento da violência dos cartéis e pela crise econômica.
O presidente Daniel Noboa e sua adversária de esquerda Luisa González percorreram o país e realizaram seus últimos comícios. "Estamos sobrevivendo, e não vivendo", reclamou em Quito o ambulante Jesús Chávez, 56, resumindo o descontentamento causado pela falta de segurança e por uma recuperação econômica fraca após a pandemia.
Outrora um oásis de paz em uma região de conflito, o Equador se encontra agora mergulhado em uma disputa territorial sangrenta entre cartéis e máfias internacionais rivais. Grupos disputam o controle das rotas lucrativas do narcotráfico, que ligam os cultivos de drogas de Colômbia e Peru a casas noturnas na Europa, Austrália e nos Estados Unidos, por meio dos portos equatorianos do Pacífico.
A taxa de homicídios do país aumentou de 6 a cada 100 mil habitantes em 2018 para 38 em 2024, o que afugentou turistas estrangeiros e resultou na migração de dezenas de milhares de equatorianos. "Há mortes cruéis, assassinatos, crimes... é uma realidade diária", disse Chávez, que já foi assaltado várias vezes no coração colonial de Quito.
- 'Declarações de guerra' -
Quase 14 milhões dos 18 milhões de habitantes do Equador estão convocados a votar nas eleições gerais do próximo domingo, disputada por 16 candidatos e que têm como favoritos Noboa - o herdeiro fotogênico de um império de bananas - e Luisa - uma mãe tatuada partidária do poderoso movimento esquerdista Revolução Cidadã.
A campanha de Luisa se concentrou em seus redutos no litoral e em captar votos nos bairros mais pobres, onde seu mentor político, o ex-presidente exilado Rafael Correa (2007-2017), tornou-se conhecido. "É urgente que mudemos o país, não com declarações de guerra, que não vão levar a lugar nenhum, e sim construindo a paz", disse a candidata à Rádio Morena.
Noboa, 37, apostou em uma política linha-dura para enfrentar os grupos criminosos, e em sua imagem jovial. Durante a campanha, caminhou com a camisa desabotoada, acompanhado de soldados fortemente armados, e vestiu coletes à prova de balas ao liderar operações de segurança.
Na capital, carros de campanha de Noboa percorreram as vias principais tocando músicas cujas letras destacavam a capacidade do candidato de trazer prosperidade e combater a corrupção. Alguns pedestres dançavam, expressando apoio.
Nas partes ricas da cidade, donos de lojas colocaram em suas vitrines fotografias de Noboa em tamanho real, que mostram o presidente vestido de forma casual, com os braços cruzados.
A maioria das pesquisas aponta uma vantagem de Noboa sobre Luisa que pode não ser suficiente para evitar o segundo turno, em abril.
B.Shevchenko--BTB