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Ex-comandante é condenado por naufrágio mortal de submarino argentino
A justiça argentina condenou o ex-comandante da Força de Submarinos Claudio Villamide a três anos de prisão pelo naufrágio, em 2017, do submarino "ARA San Juan", que matou 44 tripulantes, segundo a sentença lida pelo tribunal nesta quarta-feira (8).
O submersível adernou e implodiu no Atlântico Sul, em uma das maiores tragédias da Marinha Argentina em tempos de paz.
O tribunal federal da província de Santa Cruz (sul) julgou Villamide culpado de negligência e descumprimento dos deveres de funcionário público, enquanto outros três comandantes navais foram absolvidos.
A corte condenou por unanimidade o ex-comandante de 62 anos e ex-chefe da divisão de submarinos da Marinha, e lhe impôs uma pena condicional de três anos que, a princípio, evita sua reclusão.
Ao contrário, foram absolvidos os ex-capitãs Luis Enrique López Mazzeo, Héctor Aníbal Alonso e Hugo Correa, os únicos, junto com Villamide, que foram levados a julgamento em um processo que contou com uma centena de testemunhas.
- Punição "insuficiente" -
"Os familiares vão apelar das absolvições e reivindicar penas mais severas", disse à AFP a advogada dos demandantes Valeria Carreras, representante da maioria dos familiares das vítimas, que consideraram a punição da corte "insuficiente".
As apelações serão apresentadas depois que o tribunal divulgar os fundamentos da sentença, em 21 de agosto.
"O objetivo será revisar tanto as absolvições quanto a quantidade da pena imposta a Villamide", explicou Carreras.
Apesar de tudo, a advogada deu destaque à sentença.
"É importante ter podido provar a culpa de Villamide. Foram 44 mortes evitáveis e é uma mensagem às Forças Armadas e ao Estado para que cuidem dos servidores da pátria", acrescentou.
De todo modo, ela admitiu "certo decepção" com as absolvições.
Segundo a ação, a embarcação tinha iniciado sua missão de patrulha em frente à costa argentina sem estar em condições ótimas para a navegação.
O submarino tinha uma restrição de imersão de cem metros porque tinha testes pendentes depois de cumprir os reparos de meia vida.
O Ministério Público sustentou que Villamide não levou em conta "as condições deficientes de prontificação" do submarino e por isso tinha pedido uma pena de cinco anos de prisão.
A condenação imposta pelo tribunal não representa a prisão efetiva do ex-comandante naval, que deverá informar seu domicílio e se apresentar à justiça pelo período que durar sua sentença.
A ação, que representa as famílias das vítimas, 43 homens e uma mulher, tinha pedido penas de prisão para os quatro réus.
- Sem certezas -
As causas do naufrágio seguem sem esclarecimento. O submarino reportou uma avaria e um princípio de incêndio causado por um curto-circuito no quarto de baterias. Em 15 de novembro de 2017, submergiu além dos 100 metros e implodiu.
Uma operação internacional participou das buscas pela embarcação quando ainda havia esperanças de encontrar seus tripulantes vivos depois que a Marinha argentina divulgou que o submarino tinha sofrido uma "falha nas comunicações".
No entanto, os destroços do submarino foram encontrados um ano depois a 500 km da costa argentina e a cerca de 900 metros de profundidade no Atlântico Sul, sem nunca terem sido resgatados.
I.Meyer--BTB