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Revolução da IA, um novo desafio para as mulheres
Como em outros campos da engenharia e tecnologia, a inteligência artificial (IA) representa um desafio para as mulheres, pouco representadas no setor da computação e codificação.
Segundo números da Unesco, as mulheres representam apenas 12% dos pesquisadores de IA e 6% dos programadores em todo o mundo.
"Se nada for feito, isso significa que mais da metade da humanidade será deixada de fora das mudanças atuais e das que estão por vir", declarou à AFP Hélène Deckx van Ruys, corresponsável pelo grupo de mulheres e IA no Laboratório da Igualdade francês.
A inteligência artificial se tornou um setor-chave em apenas alguns anos.
Considerada a nova revolução industrial, espera-se que ela gere grandes mudanças econômicas e transforme profundamente algumas profissões.
Para tentar reverter a situação, especialistas do setor concordam com a importância da conscientização desde o ensino fundamental, período em que os estereótipos de gênero relacionados a determinadas profissões devem ser desconstruídos.
No campo digital, duas vezes mais estudantes do sexo feminino dizem se sentir desestimuladas porque consideram que estas não são "profissões para mulheres" (33% das entrevistadas, de acordo com o último barômetro GenderScan publicado no início de 2024).
"Há um verdadeiro desafio na educação e na orientação", insiste Deckx van Ruys.
Para Elyès Jouini, titular da disciplina Mulheres e Ciência na Unesco na Universidade Paris Dauphine, "os orientadores devem estar particularmente atentos", assim como "professores, diretores e famílias".
- Preconceitos sexistas -
Até o momento, devido à sub-representação das mulheres nestes setores, "88% dos algoritmos são criados por homens", ressalta Deckx van Ruys.
"E, consciente ou inconscientemente, os homens reproduzirão seus preconceitos", acrescenta.
Em março de 2024, a Unesco alertou em um estudo os preconceitos sexistas transmitidos "sem ambiguidade" pelas ferramentas desenvolvidas pela OpenAI e pela Meta.
"Estes novos aplicativos de IA têm o poder de moldar sutilmente as percepções de milhões de pessoas, de tal forma que até mesmo pequenos preconceitos de gênero no conteúdo que geram podem ampliar significativamente as desigualdades no mundo real", de acordo com a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.
A organização das Nações Unidas lançou uma rede para IA ética (Women4Ethical AI).
Simultaneamente, foram feitos apelos para incentivar os programadores a "codificar a igualdade", ou seja, escrever a igualdade no próprio código.
"É possível agir em nível técnico para corrigir o curso. Mas as soluções reais são soluções sociais, e isso levará tempo", explica Tanya Perelmuter, da fundação francesa Abeona.
I.Meyer--BTB