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Trump quer fechar agência dos EUA para o desenvolvimento USAID
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta sexta-feira (7) o fim da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), cuja ajuda é essencial para milhões de pessoas em todo o mundo.
O governo Trump ordenou que milhares de funcionários da agência retornem para os Estados Unidos e congelou a ajuda externa. O quadro de funcionários da USAID passaria de 10 mil para menos de 300, segundo o jornal The New York Times.
Isso seria, praticamente, um desmantelamento, realizado sob a batuta do bilionário Elon Musk, que lidera o departamento encarregado de cortar os gastos públicos (DOGE). Mas Trump não considera a medida suficiente.
"A CORRUPÇÃO ESTÁ EM NÍVEIS RARAMENTE VISTOS. FECHEM-NA!", publicou o líder republicano na rede Truth Social. "Sim, senhor presidente!", respondeu Musk, o homem mais rico do mundo.
Os Estados Unidos destinam atualmente cerca de 58 bilhões de dólares (R$ 334 bilhões) à ajuda internacional, o que o torna o maior doador do mundo. No entanto, isso equivale a entre 0,7% e 1,4% do gasto total do governo, segundo o Pew Research Center.
A USAID financia programas de saúde e emergência em cerca de 120 países, o que inclui as regiões mais pobres do mundo.
- 'Milhões de vidas' -
"Essa dissolução de fato constitui um dos piores e mais caros erros de política externa da história americana", ressaltou a diplomata Samantha Power, ex-embaixadora dos Estados Unidos na ONU durante a gestão Barack Obama (2013-2017), em coluna publicada hoje no jornal New York Times.
Essa decisão "ameaça milhões de vidas e milhares de empregos nos Estados Unidos, e compromete seriamente nossa segurança nacional e influência no mundo", insistiu Power, que esteve à frente da agência durante o mandato do ex-presidente democrata Joe Biden. "Os líderes extremistas e autoritários estão felizes" com essa medida.
A agência é considerada uma fonte vital de "soft power" para os Estados Unidos em sua luta contra a influência de rivais como a China, onde Musk tem interesses comerciais. O chanceler britânico David Lammy manifestou hoje preocupação com a possibilidade de a decisão beneficiar a China ou outros países.
- 'Loucos radicais' -
O orçamento da agência, de mais de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 240 bilhões), representa 42% da ajuda humanitária desembolsada no mundo.
Em 2023, a USAID distribuiu na América Latina mais de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões na cotação atual), principalmente para ajuda humanitária, saúde, desenvolvimento econômico e direitos humanos, segundo dados de ajuda externa do governo americano.
Para Elon Musk, no entanto, a USAID é um "ninho de víboras de marxistas da esquerda radical que odeiam os Estados Unidos". Já Trump acredita que a agência é dirigida por "radicais loucos de esquerda".
O novo governo americano vem tomando uma série de decisões radicais para reduzir a máquina pública e cortar gastos. Algumas delas foram impugnadas por tribunais ou suspensas.
O sindicato AFSA, que representa os funcionários da USAID, anunciou ontem que vai recorrer do corte na agência, argumentando que esse tipo de decisão não cabe ao Executivo, e sim ao Congresso.
aue-bpe-ube-erl/ev/bgs/erl/nn/jb/lb/rpr
J.Horn--BTB