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Hamas liberta mais seis reféns israelenses no âmbito de acordo de trégua em Gaza
O Hamas libertou, neste sábado (22), seis reféns mantidos em cativeiro na Faixa de Gaza, no âmbito da primeira fase de uma frágil trégua em vigor desde 19 de janeiro entre o movimento islamista palestino e Israel.
As novas libertações ocorreram após a confirmação da morte de Shiri Bibas, uma israelense de origem argentina sequestrada junto com seus filhos, Ariel e Kfir, durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.
Assim como nas libertações anteriores, milicianos islamistas armados e encapuzados exibiram os reféns em um palco antes de entregá-los a membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
Sob chuva e cercado por combatentes armados, Tal Shoham, de 40 anos e sequestrado em 7 de outubro, foi forçado a dizer algumas palavras em um microfone em Rafah, no sul de Gaza.
Ao seu lado, Avera Mengistu, de 38 anos, que passou mais de 10 anos em cativeiro no território palestino, abaixou a cabeça. Os dois homens subiram em seguida nos veículos do CICV antes de serem entregues a Israel.
A mesma situação se repetiu mais tarde em Nuseirat, no centro da Faixa, com a libertação de Eliya Cohen, Omer Shem Tov e Omer Wenkert, com idades entre 22 e 27 anos, sequestrados no festival de música Nova, no sul de Israel.
Após 505 dias de cativeiro, eles apareceram sorridentes enquanto a escolta os fazia acenar para a multidão.
As encenações foram denunciadas por Israel, ONU e Cruz Vermelha.
Um sexto refém foi entregue posteriormente ao CICV e transferido para Israel, de acordo com o Exército israelense. Trata-se de Hisham al Sayed, um beduíno israelense de 37 anos que passou uma década sequestrado em Gaza.
- "Sofrimento inimaginável" -
De acordo com a ONG Clube de Prisioneiros Palestinos, Israel libertará 602 prisioneiros palestinos em troca, dos quais 108 serão expulsos dos territórios palestinos.
Os familiares de Avera Mengistu celebraram sua libertação após "10 anos e cinco meses de sofrimento inimaginável", enquanto os de Tal Shoham expressaram "enorme alívio".
Em Tel Aviv, centenas de israelenses assistiram à transmissão ao vivo da libertação na "Praça dos Reféns", chorando e com momentos de alegria.
Pouco antes, a família da refém israelense de origem argentina Shiri Bibas confirmou que seu corpo foi identificado.
A entrega por parte do Hamas, na quinta-feira, do que se supunha serem quatro corpos de reféns israelenses provocou um aumento nas tensões em um momento delicado para a continuidade do cessar-fogo em Gaza.
Entre os corpos devolvidos na quinta-feira pelo movimento islamista estavam os de Ariel e Kfir Bibas, que tinham 4 anos e 8 meses quando foram sequestrados, mas não os restos mortais de Shiri, como estava previsto.
O Hamas, que governa Gaza desde 2007, admitiu na sexta-feira um possível "erro" e entregou em seguida mais um corpo ao CICV.
O Exército israelense afirmou que combatentes islamistas mataram as duas crianças "a sangue frio" e "com suas próprias mãos" em Gaza.
O Hamas havia afirmado anteriormente que Shiri Bibas, que tinha 32 anos quando foi capturada, e seus filhos, morreram em novembro de 2023 devido a um bombardeio israelense.
A família Bibas afirmou neste sábado que não recebeu "nenhum detalhe" das autoridades israelenses sobre as circunstâncias de suas mortes e pediu que se evitse acrescentar "mais detalhes" sobre o tema. "Foi um assassinato, sem mais considerações."
- Negociações atrasadas -
Com as novas libertações, 61 dos 251 reféns sequestrados em 7 de outubro continuam em cativeiro em Gaza - dos quais 35 estariam mortos, de acordo com o exército.
Desde que a trégua entrou em vigor em 19 de janeiro, 29 reféns israelenses - quatro deles mortos - foram entregues a Israel, em troca de mais de 1.100 detidos palestinos.
O acordo prevê que 33 reféns, oito deles mortos, sejam trocados por 1.900 detidos palestinos ao término da primeira fase do acordo, em 1º de março.
A libertação deste sábado foi a última de reféns israelenses vivos prevista para esta primeira fase.
As negociações indiretas para a segunda etapa, que deve resultar no fim definitivo da guerra, estão atrasadas. A terceira e última fase se concentrará, a princípio, na reconstrução de Gaza, devastada pelo conflito.
O ataque do Hamas em 7 de outubro resultou na morte de 1.215 pessoas, de acordo com um balanço da AFP baseado em números oficiais de Israel.
A ofensiva israelense lançada em represália matou pelo menos 48.319 pessoas em Gaza, a maioria civis, segundo números do Ministério da Saúde do território palestino, considerados confiáveis pela ONU.
C.Meier--BTB