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Prazo de ultimato de Musk a funcionários federais dos EUA se aproxima do fim
O prazo do ultimato feito pelo magnata Elon Musk e assessor próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega a seu fim: os funcionários federais americanos têm até a meia-noite desta segunda-feira (24) para justificar suas tarefas sob pena de demissão, embora algumas agências aconselhem o contrário.
Depois que o presidente republicano lhe pediu que fosse "mais agressivo" em sua missão de reduzir os gastos públicos, o homem mais rico do mundo ordenou no sábado aos funcionários públicos que respondessem a um e-mail que seria enviado, indicando que sua "falta de resposta" seria considerada uma "renúncia".
Consequentemente, o Departamento de Recursos Humanos do governo federal, conhecido pela sigla OPM, enviou para mais de dois milhões de funcionários uma mensagem intitulada: "O que você fez na semana passada?"
O OPM exigiu uma resposta antes da meia-noite desta segunda descrevendo cinco tarefas concluídas na semana anterior, também enviada ao chefe do funcionário. A única ressalva é que não se compartilhe informações confidenciais.
A iniciativa de Musk, conhecido por esperar dedicação total de seus próprios funcionários na rede social X e em suas companhias Tesla e SpaceX, aumentou a confusão no seio de um aparato estatal já pressionado.
O e-mail recebido pelos funcionários e visto pela AFP não menciona, contudo, o risco de que sejam considerados demissionários se não o responderem.
- 'Semi-demitidos' -
Mas, na medida em que o fim do prazo se aproxima, Trump, que defendeu a forma e o conteúdo da mensagem de Musk, classificando-a de "brilhante", esclareceu na segunda-feira que quem não respondesse estaria "semi-demitido" ou demitido diretamente, sem dar mais detalhes
"Se as pessoas não respondem, provavelmente significa que não existem ou que não trabalham", disse ele aos jornalistas.
No entanto, vários departamentos, incluídos alguns dirigidos por nomes leais a Trump, aconselharam aos funcionários que não respondessem, pelo menos por ora.
Entre eles está o Departamento de Defesa. Também é o caso dos funcionários nomeados pelos novos responsáveis de FBI (polícia federal), Departamento de Estado e Inteligência Nacional, segundo a imprensa americana.
No outro extremo, o Departamento do Tesouro pediu a seu pessoal que respondesse o e-mail antes da meia-noite. Esse pedido "reflete o desejo de que os servidores federais sejam mais responsáveis, como no setor privado", defende a pasta em uma correspondência consultada pela AFP.
O departamento acrescenta que responder "não deveria representar dificuldades nem levar muito tempo", e sugere que, em caso de dúvida, os funcionários perguntem a um chefe.
Trata-se do ataque mais recente de Musk contra uma burocracia federal que Trump e seus partidários consideram muito complicada e cara, enquanto suas equipes, agrupadas sob a bandeira de um Departamento para a Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), vão de escritório em escritório cortando gastos e demitindo pessoal.
- Preocupações republicanas -
Por sua vez, o principal sindicato de servidores federais dos Estados Unidos, o AFGE, prometeu contestar qualquer rescisão "ilegal" de contratos.
"Mais uma vez, Elon Musk e a administração Trump demonstraram seu total desprezo pelos servidores federais e os serviços essenciais que prestam ao povo americano", afirmou o presidente do sindicato, Everett Kelley, em comunicado.
Até mesmo do lado republicano começam a surgir preocupações.
"Se eu pudesse dizer algo a Elon Musk, seria: 'Por favor, mostre um pouco de compaixão. São pessoas reais. São vidas reais'", disse o senador republicano por Utah John Curtis no fim de semana.
"É uma falácia dizer que temos que economizar e ser cruéis ao mesmo tempo", acrescentou Curtis à emissora de televisão CBS.
Em apenas cinco semanas, o novo governo Trump deu carta branca a Musk para demitir seções inteiras do quadro de funcionários, cortar os gastos públicos e suspender as atividades dos órgãos reguladores.
Postos-chave da administração foram concedidos a pessoas leais a Trump e milhares de funcionários em período de experiência foram mandados embora. Incentivados por um programa de demissão voluntários que prevê o pagamento dos salários até o fim de setembro, cerca de 75 mil funcionários aceitaram deixar seus cargos, segundo a Casa Branca.
S.Keller--BTB