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Netanyahu faz ameaças ao Hamas em meio a bloqueio do acordo de trégua em Gaza
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ameaçou o Hamas nesta segunda-feira (3) com consequências que não pode "imaginar" se não libertar os reféns que ainda estão em Gaza, em meio ao bloqueio das negociações sobre o que vai acontecer com o acordo de cessar-fogo.
"É hora de dar aos moradores de Gaza uma oportunidade real. É hora de lhes dar liberdade para ir embora", acrescentou perante o Parlamento.
"O presidente Trump apresentou um plano visionário e inovador para a liberdade de migração de Gaza, e acredito que é uma visão que poderia ser apoiada", disse Netanyahu em discurso no parlamento israelense.
O Hamas acusou Israel de buscar o "colapso" do frágil acordo de trégua que entrou em vigor em 19 de janeiro, após 15 meses de guerra devastadora, desencadeada por um ataque do movimento islamista palestino em território israelense em 7 de outubro de 2023.
"Digo ao Hamas: se não libertarem nossos reféns, haverá consequências que não podem imaginar", declarou Netanyahu
Após a conclusão da primeira fase do acordo, negociado pelo Catar com a ajuda do Egito e dos Estados Unidos, Israel e o Hamas não conseguiram chegar a um entendimento sobre a próxima etapa do processo, que deveria começar no domingo.
Devido aos desacordos, Israel anunciou a suspensão da entrada de mercadorias e suprimentos em Gaza.
- 'Flagrante violação' -
O Hamas, que governa Gaza desde 2007, estima que o compromisso americano é o mesmo que Israel "renegar os acordos que firmou".
O movimento islamista expressou seu desejo de seguir com "as [duas] etapas restantes, previstas no acordo" inicial de trégua, ou seja, "um cessar-fogo global e permanente" e a "retirada completa" israelense de Gaza, antes da "reconstrução e do levantamento do cerco" ao território.
Usama Hamdam, alto responsável do Hamas, disse em um vídeo que a pressão exercida por Israel para prorrogar a primeira fase do acordo é uma "tentativa descarada de evitar negociações para a segunda fase".
O Hamas chamou de "crime de guerra" a suspensão da ajuda a Gaza, onde 2,4 milhões de palestinos vivem sob cerco israelense desde o início dos confrontos.
Vários países árabes, incluindo Catar, Egito e Arábia Saudita, denunciaram uma "violação flagrante" do acordo e acusaram Israel de "usar a fome como arma contra o povo palestino".
No Cairo, os ministros das Relações Exteriores árabes se reuniram a portas fechadas para se preparar para uma cúpula sobre Gaza na terça-feira.
O acordo de trégua prevê três fases. Durante a primeira, o Hamas entregou a Israel 33 reféns, oito deles mortos, em troca da libertação de cerca de 1.800 presos palestinos.
Entre os 251 reféns levados para Gaza durante o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, 58 permanecem cativos, 34 dos quais estariam mortos segundo o Exército israelense.
O ataque do Hamas em 2023 resultou na morte de 1.218 pessoas do lado israelense, a maioria civis, de acordo com um balanço feito com base em dados oficiais.
A ofensiva militar de represália de Israel em Gaza deixou mais de 48 mil mortos, segundo os dados do Ministério da Saúde do território, que a ONU considera confiáveis.
- Atentado sangrento em Haifa -
A polícia descreveu o ataque como "terrorista", um termo que indica que está ligado ao conflito israelense-palestino.
Acrescentou que o agressor era um druso israelense — uma ocorrência extremamente rara — que havia retornado recentemente do exterior.
Os drusos, seguidores de uma religião esotérica derivada do islamismo, formam uma minoria de língua árabe conhecida por seu patriotismo em Israel.
Quando jornalistas da AFP chegaram ao local, após as vítimas terem sido evacuadas, viram o corpo coberto do agressor no chão e muito sangue.
O movimento islamista palestino Hamas chamou o ataque de "operação heroica", mas não assumiu a responsabilidade.
Equipes de resgate confirmaram a morte de um homem de 70 anos e acrescentaram que quatro feridos receberam atendimento, incluindo "três em estado grave".
Haifa, uma cidade mista de judeus e árabes, é o maior centro urbano no norte de Israel.
Este é o primeiro atentado mortal em Israel desde o começo da trégua com o Hamas na Faixa de Gaza, que entrou em vigor em 19 de janeiro após 15 meses de uma guerra devastadora, e que agora parece cambalear.
D.Schneider--BTB