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Autoridades sírias anunciam fim da violenta operação militar no oeste do país
As autoridades sírias anunciaram, nesta segunda-feira (10), que a operação militar contra indivíduos leais ao presidente deposto Bashar al-Assad terminou "com sucesso" no oeste do país, onde confrontos e execuções em larga escala deixaram quase 1.500 mortos, segundo uma ONG.
"Anunciamos o fim da operação militar [...] após o sucesso de nossas forças em alcançar todos os objetivos estabelecidos", afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa, Hasan Abdel Ghani, citado pela agência oficial SANA.
O presidente interino da Síria, Ahmad al Sharaa, ressaltou que não permitirá que os seguidores do presidente deposto, apoiados, segundo ele, por "partes externas", "arrastem o país" para uma nova "guerra civil".
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que possui uma extensa rede de informantes na Síria, 973 civis da minoria alauíta, à qual pertence o ex-presidente Assad, foram abatidos pelas "forças de segurança e grupos aliados" desde a última quinta-feira.
Pelo menos 481 membros das forças de segurança e combatentes pró-Assad morreram nos confrontos, acrescentou o OSDH. As autoridades não comunicaram nenhum balanço.
A onda de violência começou no oeste da Síria, com um ataque de apoiadores de Assad contra as forças de segurança na cidade de Jableh, na província de Latakia.
A região é o berço da comunidade muçulmana alauíta, um ramo do islã xiita do qual procede o clã Assad, que governou o país de forma autoritária e repressiva durante mais de meio século, primeiro com Hafez e depois com seu filho Bashar.
O Irã, um antigo aliado de Assad, negou nesta segunda-feira qualquer envolvimento nos atos de violência que abalaram a Síria, cenário de uma guerra civil durante mais de 13 anos.
- "Comissão independente" -
Assad, que fugiu para Moscou com a família, foi derrubado em dezembro de 2024 por uma aliança de rebeldes islamistas sunitas liderada pelo grupo radical Hayat Tahrir al Sham (HTS) de Al Sharaa.
O presidente interino ordenou no domingo que uma "comissão independente" investigue os massacres de civis, que provocaram indignação internacional.
"O que está acontecendo no país (...) são desafios que eram previsíveis. Temos que preservar a unidade nacional, a paz civil, tanto quanto possível e, se Deus quiser, seremos capazes de viver juntos neste país", afirmou em uma mesquita de Damasco, a capital.
O ministro das Relações Exteriores da Síria, Assad al Shaibani, afirmou em Amã, na Jordânia, que "somos garantidores de todo o povo sírio e de todas as confissões, e protegemos todos da mesma maneira".
A Síria é um país composto por várias comunidades: sunitas, majoritários, curdos, cristãos e drusos. Os alauítas tinham grande representação no aparato militar e de segurança do clã Al Assad.
O restabelecimento da segurança é o principal desafio para o novo governo sírio.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse que as mortes de civis "devem cessar imediatamente", enquanto o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, condenou os "massacres" e pediu que os autores "sejam responsabilizados".
A administração autônoma curda da Síria, que controla grandes partes do leste e do norte do país, também condenou as "práticas (que) nos levam a uma época sombria que o povo sírio não quer viver novamente".
- "Estado sunita!" -
Na segunda-feira, as ruas de Latakia, a maior cidade da costa oeste, registravam pouca movimentação. "A situação está um pouco mais tranquila, as pessoas começaram a circular novamente após 20 dias de grande medo e ansiedade", declarou Farah, uma estudante de 22 anos que não revelou o sobrenome.
O OSDH e vários ativistas publicaram vídeos que mostram dezenas de corpos e homens vestidos com uniformes militares disparando em três pessoas à queima-roupa.
A AFP não conseguiu verificar essas imagens de forma independente.
Em Damasco, as forças de segurança dispersaram um protesto contra os massacres, depois que contra-manifestantes invadiram a área gritando "Estado sunita!" e várias palavras de ordem contra a comunidade alauíta.
Desde sua chegada ao poder, Al Sharaa tenta conquistar o apoio da comunidade internacional e tranquilizar as minorias.
Mas o aumento da violência põe em dúvida sua capacidade de manter a segurança e representa um duro golpe em suas tentativas de conquistar a confiança internacional, segundo analistas.
F.Müller--BTB