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Ucrânia e EUA discutem cessar-fogo parcial com a Rússia
A Ucrânia afirmou que as conversações desta terça-feira (11) com os Estados Unido na Arábia Saudita começaram de maneira construtiva para buscar um cessar-fogo parcial com a Rússia, pouco depois do maior ataque de drones ucranianos contra o território russo desde que o conflito começou há mais de três anos.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, participam na reunião na cidade de Jidá, às margens do Mar Vermelho.
A primeira sessão durou pouco mais de três horas e os diálogos foram retomados à tarde, em momentos em que o presidente americano, Donald Trump, pressiona a Ucrânia para que ponha fim à guerra.
"As negociações se desenvolvem com normalidade e muitos assuntos foram abordados", declarou um alto funcionário ucraniano sob condição de anonimato. Essa é a primeira reunião ucraniano-americana de alto nível após a acalorada discussão entre Donald Trump e Volodimir Zelensky na Casa Branca em 28 de fevereiro.
Os negociadores ucranianos propõem uma trégua "aérea e marítima" com a Rússia, disse à AFP um funcionário de alto escalão sob a condição de anonimato.
Desde sua chegada à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump pressiona a Ucrânia para acabar com a guerra, iniciada com a invasão russa do país, em fevereiro de 2022.
"Estamos prontos para fazer todo o possível para alcançar a paz", disse aos jornalistas o chefe de gabinete da Presidência ucraniana, Andrii Yermak, ao entrar na sala de negociações. Ele acrescentou que as conversações começaram "de uma forma muito construtiva".
A reunião acontece poucas horas após o maior ataque de drones ucranianos contra a Rússia desde o início da invasão.
As autoridades russas afirmaram, no entanto, que o ataque, com um balanço provisório de três mortos e 18 feridos, foi um fracasso e anunciaram que derrubaram 343 drones, incluindo 91 na região de Moscou e 126 na região de Kursk, fronteiriça com a Ucrânia, ocupada parcialmente pelas forças ucranianas.
Ao ser consultado sobre as conversações na Arábia Saudita, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que correspondia à Ucrânia demonstrar que está pronta para chegar à paz. "Não importa o que nós (esperamos)", afirmou.
O emissário americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse que a reunião em Jidá deve servir para "definir um marco para um acordo de paz e um cessar-fogo inicial" entre Rússia e Ucrânia.
- "Concessões" -
Este é o primeiro contato de alto escalão entre Ucrânia e Estados Unidos desde a visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, à Casa Branca em 28 de fevereiro, quando se envolveu em um confronto verbal com Donald Trump e seu vice-presidente JD Vance no Salão Oval, diante da imprensa e ao vivo.
Posteriormente, Washington suspendeu a assistência militar a Kiev e o compartilhamento de dados de inteligência, vital para a Ucrânia na linha de frente, ao mesmo tempo que Trump iniciou uma aproximação com a Rússia.
Pouco antes da chegada a Jidá, o secretário de Estado, Marco Rubio, considerou promissora a ideia de um cessar-fogo parcial.
"Não estou dizendo que isto é suficiente por si só, mas é o tipo de concessão necessária para acabar com o conflito", disse à imprensa. "Não conseguiremos um cessar-fogo e o fim desta guerra se as duas partes não fizerem concessões", insistiu.
As conversações acontecem em um momento difícil para a Ucrânia na frente de batalha.
A Rússia anunciou nesta terça-feira que recuperou das mãos do exército ucraniano 12 localidades e "mais de 100 quilômetros quadrados" de sua região fronteiriça de Kursk.
A Ucrânia iniciou uma ofensiva nesta região russa fronteiriça em agosto de 2024 e conseguiu ocupar centenas de quilômetros quadrados em uma ofensiva surpresa, um território que poderia servir de moeda de troca com Moscou em futuras negociações.
Mas desde então, os russos já recuperaram mais de dois terços do território conquistado inicialmente, com o apoio, segundo a Ucrânia e a Coreia do Sul, de milhares de soldados norte-coreanos.
Antes do início da reunião, a China declarou esperar uma "solução justa e duradoura" para a guerra e que "apoia todos os esforços que contribuam para uma solução pacífica da crise".
G.Schulte--BTB