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Prisões de estudantes pró-palestinos motivam batalhas legais nos EUA
A ofensiva do governo Donald Trump contra os movimentos pró-palestinos em universidades é alvo de uma disputa judicial intensa nos Estados Unidos, onde os dois casos de maior repercussão ocuparam os tribunais nesta sexta-feira.
O primeiro caso é o de Mahmoud Khalil, líder dos protestos pró-palestinos na Universidade de Columbia, detido no começo do mês para ser deportado.
O presidente americano acusa o movimento estudantil de antissemitismo, enquanto os detratores de Trump e defensores das liberdades fundamentais dizem que as prisões buscam reprimir a liberdade de expressão.
Em uma corte de Newark, em Nova Jersey, os advogados do governo pressionaram hoje para que seu caso seja transferido para um tribunal mais favorável à política anti-imigração de Trump.
Khalil, que possui autorização de residência permanente, foi detido por agentes da polícia migratória em Nova York, onde reside, e levado para a Louisiana com fins de expulsão. Desde então, teve início uma batalha judicial, houve mais prisões, e outros estudantes que participaram dos protestos tiveram seu visto revogado.
- Presa por agentes -
O advogado do governo August Flentje defendeu que o caso de Khalil "pertence à Louisiana", visto pelos defensores dos direitos humanos como um estado mais favorável às políticas anti-imigração de Trump. Baher Azmy, defensor do estudante, acusou o governo de "adotar um argumento jurisdicional que soa como represália".
Khalil não participou da audiência, mas sua mulher, que está grávida, compareceu, com vários simpatizantes. Dezenas de pessoas se reuniram do lado de fora do tribunal para apoiar o ativista. O juiz ainda deve emitir uma decisão.
Outra prisão que gerou indignação foi a da estudante turca Rumeysa Ozturk, 30, que publicou um artigo pró-palestinos na revista da Universidade de Tufts, onde faz doutorado. No começo da semana, um vídeo divulgado em redes sociais mostra o momento em que indivíduos de máscara, vestidos à paisana, capturam Rumeysa perto da universidade, em Massachusetts.
"Rumeysa não foi acusada de cometer nenhum crime e o DHS não apresentou nenhuma prova do seu envolvimento em atividades ilegais", protestou a advogada da estudante. "Parece que a única razão para ela ser um alvo é o seu direito à liberdade de expressão."
A juíza de Massachusetts Denise Casper proibiu hoje "expulsar Rumeysa Ozturk dos Estados Unidos até novo aviso", enquanto se examina o expediente da estudante, também detida na Louisiana.
Vários professores universitários processaram o governo Trump na última terça-feira em Massachusetts, alegando que a campanha contra estudantes estrangeiros é ilegal.
- Medo -
Muitos estudantes disseram sentir medo. "Nada te protege", comentou uma aluna de origem latina e nacionalidade americana que participou ativamente, no ano passado, de protestos por um cessar-fogo na Faixa de Gaza e pelo fim dos investimentos da Universidade de Columbia em interesses israelenses.
"Tomo precauções, vejo se alguém está me seguindo. Antes, não tinha medo de deixar a porta do meu apartamento aberta. Agora, eu a fecho, caso algum agente entre para revistar minhas coisas", contou à AFP.
A Universidade de Columbia se tornou um bunker: as portas estão fechadas para pessoas de fora do campus, os estudantes têm que apresentar sua identificação e a presença policial nas proximidades é grande.
Trump anunciou cortes na ajuda federal às universidades, que, no caso de Columbia, poderiam chegar a 400 milhões de dólares (2,3 bilhões de reais). Para tentar recuperar essa verba, a instituição concordou em cumprir as exigências do governo, como permitir a presença no campus de agentes de segurança com poderes para deter "agitadores".
C.Meier--BTB