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Otan anuncia contratos de armamento para apaziguar Trump durante reunião de cúpula
O secretário-geral da Otan anunciou nesta terça-feira (7) vários contratos de armamento para tentar convencer os Estados Unidos de que a Europa leva a sério o aumento dos gastos em defesa, no primeiro dia da reunião de cúpula da Aliança em Ancara.
O presidente americano Donald Trump, que deve chegar durante a tarde à capital da Turquia, está irritado com os aliados europeus por considerar que não o apoiaram na guerra que Estados Unidos e Israel desencadearam contra o Irã.
Países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte e "empresas dos dois lados do Atlântico vão (...) assinar contratos que somam bilhões, literalmente bilhões de dólares", afirmou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
Segundo um diplomata que acompanha as negociações, o valor dos contratos supera 50 bilhões de dólares (256 bilhões de reais).
Um contrato foi confirmado com a empresa sueca Saab para substituir a frota de aviões de reconhecimento Awacs fabricados pela americana Boeing. O acordo inclui um pedido de 10 aeronaves Global Eye, cujo valor não foi divulgado.
A Otan anunciou em 2023 a substituição da frota de Awacs e a Saab era a favorita para conquistar o contrato, após a retirada da Boeing.
O grupo Airbus obteve um contrato para fornecer o décimo A330 MRTT, um avião militar de transporte e reabastecimento, à frota da OTAN.
O chefe da Aliança fez o anúncio diante de um grupo de empresários e funcionários de alto escalão da Otan, reunidos na capital turca em um fórum sobre a indústria de defesa.
Há um ano, os integrantes europeus da Otan e o Canadá se comprometeram a elevar os orçamentos de defesa a 5% do PIB até 2035, sob pressão de Trump. A Espanha foi o único país que não assumiu o compromisso.
Rutte insiste que os europeus cumpriram as promessas de aumentar os gastos militares e assumir mais responsabilidades na defesa do continente frente à Rússia.
"Apenas um ano depois, já vemos um avanço transformador", declarou Rutte antes da cúpula, que continuará na quarta-feira.
Porém, Trump, irritado com os países europeus que impediram o uso de suas bases para ataques contra o Irã, criticou duramente os aliados nos últimos dias.
"É ridículo que os Estados Unidos continuem por este caminho unilateral quando a relação não é recíproca. Eles não estavam lá por nós", publicou Trump em sua plataforma Truth Social na sexta-feira.
- Mudança real -
Os governantes europeus esperam ao menos evitar uma ruptura com o presidente americano que abale ainda mais a credibilidade da Otan.
O líder republicano mantém uma boa relação com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, cujo país multiplicou as detenções de vozes críticas e de jornalistas antes da cúpula.
Além disso, aliados europeus como França e Reino Unido citaram a possibilidade de uma missão naval para ajudar no Estreito de Ormuz.
Mas a situação é muito volátil e os europeus querem ter certeza sobre a frágil trégua entre Estados Unidos e Irã antes de deslocar suas forças navais.
Embora apostem na conciliação, os líderes europeus começaram a aceitar a realidade de que os Estados Unidos estão se afastando da aliança. Washington deseja que seus aliados assumam a defesa convencional da Europa e anunciou recentemente a redução dos recursos disponíveis aos comandantes da Otan.
Os países europeus tentarão demonstrar que estão dispostos a ter um papel maior em sua própria defesa. Para Rutte, "esta é a OTAN 3.0. Uma Europa mais forte em uma Otan mais forte".
- "Decisões fortes" -
Além de aceitar mais responsabilidades para sua própria defesa, os países europeus já assumiram quase por completo o apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia, depois que Trump retirou a maior parte da ajuda americana.
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky, que comparecerá à reunião, espera que os europeus se comprometam a manter um fluxo de pelo menos 80 bilhões de dólares (410 bilhões de reais) anuais em ajuda militar para seu país em 2026 e 2027.
Zelensky, que conversará com Trump, pediu à aliança que adote "decisões firmes" para reforçar a defesa aérea ucraniana, após um devastador ataque russo que matou quase 30 pessoas na segunda-feira.
O presidente ucraniano tentará convencer Trump de que Kiev está mudando o rumo da guerra e que ele deveria pressionar Moscou a voltar às negociações de paz.
Y.Bouchard--BTB