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Ex-presidente panamenho condenado por lavagem de dinheiro se exilará na Nicarágua
O ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli, asilado há mais de um ano na embaixada da Nicarágua para fugir de uma condenação por lavagem de dinheiro, tem previsão de sair nesta segunda-feira (31) de seu refúgio rumo a Manágua com uma permissão concedida pelo governo do Panamá.
Martinelli, um magnata de 73 anos que governou o Panamá de 2009 a 2014, sairá "depois do meio-dia" da sede diplomática, no norte da capital, acompanhado por colaboradores e funcionários da embaixada, afirmou nesta segunda seu porta-voz, Luis Eduardo Camacho.
O ex-governante se refugiou na embaixada em 7 de fevereiro de 2024, cinco dias depois da confirmação da pena que havia recebido em 2023 de 10 anos e 8 meses de prisão, além de uma multa de 19 milhões de dólares (109 milhões de reais).
Martinelli deve deixar o local antes de expirar à meia-noite o salvo-conduto concedido na quinta-feira pelo governo de José Raúl Mulino, que apesar de ser seu amigo, se queixou com a Nicarágua do ativismo político que manteve o asilado em seu refúgio.
O governo argumenta que concedeu a permissão por razões "humanitárias" para que ele se defenda em liberdade e lide com problemas de saúde, mas analistas e críticos do ex-presidente afirmaram que se trata de um triunfo da impunidade.
Em suas redes sociais, o ex-governante, dono de uma rede de supermercados, se despediu no fim de semana de seus seguidores e reiterou que é "inocente" e vítima de "perseguição política".
Martinelli foi considerado culpado em 2023 de utilizar fundos públicos para adquirir um grupo de meios de comunicação com procedimentos opacos, em um caso conhecido como "New Business".
Também está indiciado, em um julgamento programado para novembro, por supostamente receber subornos da construtora brasileira Odebrecht, um caso pelo qual dois de seus filhos cumpriram penas nos Estados Unidos, onde ele e sua família estão proibidos de entrar.
- Jacuzzi, rede e churrasco -
Martinelli desperta paixões divergentes no Panamá, onde no domingo iniciou-se uma controvérsia em torno de um pedido judicial para que a Interpol emita um alerta vermelho contra ele, embora o governo assegure que está protegido pelo asilo.
Quando se asilou, era favorito para ganhar um segundo mandato nas eleições de maio de 2024, mas a justiça o tornou inelegível e designou em seu lugar como candidato Mulino, ministro de Segurança em seu governo.
Da embaixada, fez campanha eleitoral a favor de Mulino, que venceu impulsionado pela popularidade que Martinelli tem em um setor da população, que atribui a ele o auge econômico vivido pelo país durante seus anos de governo.
Amante das polêmicas, em seu refúgio foi constantemente visitado por políticos amigos e publicava vídeos fazendo exercícios, churrascos ou sendo atendido pelo dentista.
Suas selfies, deitado em uma rede ou entre as bolhas de um jacuzzi, viralizaram no Panamá. E até seu cão Bruno, que levará para a Nicarágua, viveu confortavelmente na sede diplomática, que foi ampliada e adaptada especialmente para Martinelli.
A Nicarágua, sob o governo de Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo, deu refúgio nos últimos anos a vários estrangeiros acusados de corrupção, entre eles os ex-presidentes salvadorenhos Mauricio Funes – já falecido – e Salvador Sánchez Cerén.
"Os Ortega-Murillo transformaram o país em refúgio de delinquentes de terno e gravata que têm muitíssimo dinheiro para se blindarem comprando a nacionalidade nicaraguense e a proteção do regime", declarou à AFP a ex-guerrilheira nicaraguense Dora María Téllez, exilada na Espanha.
Após concluir seu mandato em 2014, Martinelli se uniu ao Parlamento Centro-Americano, apesar de ter dito que se tratava de uma "cova de ladrões" onde os ex-presidentes da região buscavam imunidade.
Em 2015, se instalou em uma vila luxuosa em Miami, até que em 2018 foi extraditado para o Panamá por um caso de espionagem política e enviado à prisão. Mas em 2019 passou para a prisão domiciliar e em um novo julgamento foi absolvido em 2021.
Especialistas acreditam que no julgamento da Odebrecht deve ser julgado à revelia.
I.Meyer--BTB