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Milhares de +bolsonaristas pedem 'justiça' em manifestação em São Paulo
Milhares de pessoas, vestindo verde e amarelo, foram às ruas de São Paulo, neste domingo (29), convocadas para se manifestar por "justiça" pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pode ser condenado a décadas de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado.
"O Brasil precisa de todos nós. É por liberdade, por justiça", disse nos últimos dias o ex-presidente (2019-2022) na plataforma X, ao convocar seus apoiadores para uma marcha na avenida Paulista, no centro de São Paulo.
A manifestação encerra um mês particularmente agitado para Bolsonaro no âmbito judicial.
Em uma fase crucial de seu processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente negou qualquer intenção golpista durante o aguardado cara a cara com o ministro Alexandre de Moraes, a quem Bolsonaro chegou a chamar de "canalha" no passado.
O ex-presidente, de 70 anos, é acusado de liderar uma organização criminosa, que teria conspirado para mantê-lo no poder, após perder as eleições presidenciais de outubro de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o suposto plano golpista, que previa, inclusive, o assassinado de Lula e outras autoridades, não foi concretizado por falta de apoio do alto comando militar.
- "Psicopata" -
Inelegível até 2030 por questionar, sem apresentar provas, o sistema de urnas eletrônicas, Bolsonaro pode pegar até 40 anos de prisão pelas acusações de tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, entre outras. Mas ele se diz vítima de uma perseguição política, destinada a impedi-lo de se candidatar às eleições presidenciais do ano que vem.
"Existe uma justiça pra esquerda e um estado de exceção pra direita. O STF nem foi votado e está literalmente tomando posse do Brasil", disse à AFP um manifestante que se identificou como 'Julinho Coração de Leão'.
Calvo como Alexandre de Moraes, este sexagenário vestia uma toga preta como a usada pelos juízes, um tecido simples como se fosse uma bermuda e longas meias brancas.
"Moraes é um psicopata, ele rasgou a Constituição. 2026 é Bolsonaro, não podem tirar esse direito da gente", emendou.
Em meados deste mês, o cerco judicial apertou ainda mais em torno de Bolsonaro, quando a Polícia Federal indiciou um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), suspeito de participação no caso da Abin Paralela, uma suposta rede de espionagem ilegal durante o mandato do pai.
Segundo os investigadores, o então presidente era o "principal destinatário" das informações obtidas, além de estar no "centro decisório" sobre a escolha das personalidades espionadas por uma estrutura paralela dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
- "Pacificação" -
"Acho essa manifestação uma furada", comentou Dionisio Teixeira, de 67 anos, vendedor de discos de vinil na avenida Paulista, que aos domingos é transformada em uma grande via para pedestres.
"Um cara (Bolsonaro) que queria explodir Brasília, matar seu adversário político (Lula). Esse cara tem que ir pra cadeia, não tem outra saída. Não sei como as pessoas ainda vêm aqui pra defender um cara desse", acrescentou.
Várias manifestações foram organizadas desde o início dos problemas judiciais de Bolsonaro, mas a participação parece ter diminuído nos últimos meses, inclusive neste domingo.
Segundo estimativas da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 45.000 pessoas participaram da última marcha na avenida Paulista, em abril, quase quatro vezes menos que em fevereiro (185.000).
Nestas últimas manifestações, a palavra de ordem era a "Anistia" para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Nesse dia, milhares de bolsonaristas invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes, exigindo intervenção militar para tirar Lula do poder, uma semana depois de sua posse.
"A gente precisa falar de liberdade, precisamos só de pacificação (...) Vamos pregar pacificação", disse recentemente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que participou da marcha neste domingo.
Este ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro é um dos nomes favoritos da direita para disputar as eleições presidenciais de 2026. No entanto, Bolsonaro ainda tem a esperança de reverter sua inelegibilidade e não declarou apoio a ninguém.
Y.Bouchard--BTB