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Presidente do Louvre renuncia quatro meses após roubo de joias
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta terça-feira (24) a demissão da presidente do Louvre, Laurence des Cars, que estava no olho do furacão desde um espetacular roubo de joias em outubro, avaliadas em cerca de 100 milhões de dólares (cerca de 516,7 milhões de reais).
Des Cars, que em 2021 se tornou a primeira mulher a dirigir o museu mais visitado do mundo, apresentou sua demissão à ministra da Cultura, Rachida Dati, que a rejeitou, explicou ela dias depois.
Mas a pressão continuou aumentando à medida que avançavam as investigações parlamentares e judiciais, e sucediam-se novas polêmicas por problemas de vazamentos de água, greves de funcionários e um importante esquema de fraude nos bilhetes de entrada.
No domingo (22), ativistas do coletivo britânico "Everyone Hates Elon" chegaram a pendurar em uma sala do museu, por um breve momento, uma foto do ex-príncipe britânico Andrew tirada durante sua recente prisão em relação ao caso do criminoso sexual Jeffery Epstein.
A demissão de Laurence des Cars é um "ato de responsabilidade em um momento em que o maior museu do mundo necessita de calma e de um novo impulso forte", avaliou Macron, segundo o comunicado de seu gabinete que anunciou a renúncia.
Sua saída permitirá relançar "grandes projetos de segurança" e de "modernização", assim como o projeto "Louvre-Novo Renascimento", que o presidente apresentou no início de 2025 após as preocupações sobre a situação do museu se tornarem públicas, assinalou a nota.
"Estou serena e orgulhosa do trabalho realizado", mas "manter o rumo não basta, também é preciso conseguir avançar, e já não existem condições para avançar", assegurou a presidente demissionária ao jornal Le Figaro.
Des Cars, de 59 anos, alertou, em janeiro de 2025, à ministra da Cultura sobre o estado do museu, mas o rápido roubo de oito joias da Coroa do século XIX, em outubro, confirmou todos os temores e levou o caso às capas da imprensa internacional.
Alguns ladrões invadiram, em plena luz do dia, este museu mundialmente famoso, usando um monta-cargas, e fugiram com as joias, que continuam desaparecidas, em menos de oito minutos. Os quatro suspeitos de perpetrar o roubo foram detidos.
- Recuperar o controle -
O anúncio da renúncia da ex-presidente do Museu de Orsay ocorre um dia antes de seu comparecimento agendado perante uma comissão parlamentar sobre a segurança do museu, que acabou sendo cancelado, informou o Parlamento.
"As diversas deficiências na gestão do estabelecimento exigem uma firme recuperação do seu controle", disse o deputado Alexandre Portier, presidente da comissão de inquérito, à AFP.
O sucessor de Des Cars, cuja identidade é desconhecida por enquanto, deverá lançar o plano "Louvre-Novo Renascimento", que prevê a criação de uma nova entrada para 2031, considerando a atual, a pirâmide inaugurada em 1988, "obsoleta".
O arquiteto Ieoh Ming Pei projetou o local para receber quatro milhões de visitantes por ano, mas, em 2024, foram nove milhões (80% estrangeiros). O objetivo agora é atrair 12 milhões quando as obras forem realizadas.
Outra das grandes mudanças anunciadas é a criação de um novo "espaço particular" para a Mona Lisa, independente do restante do museu e com bilhete de acesso próprio. Esta obra-prima de Leonardo da Vinci também foi roubada em 1911 e recuperada meses depois.
Laurence des Cars, cujo mandato iria até o final de 2026, ficará responsável por uma missão, no âmbito da presidência francesa do G7, "sobre a cooperação entre os grandes museus dos países envolvidos", indicou a presidência francesa.
burs-tjc/an/rm/am
W.Lapointe--BTB