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EUA analisa recente proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos, que segundo o Irã não estão em condições de "ditar sua política" a outros países, analisam, nesta terça-feira (28), a última proposta de Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz, praticamente paralisado desde o início da guerra no Oriente Médio.
As negociações de paz entre Washington e Teerã para pôr fim a esse conflito, que abalou a economia mundial com um duplo bloqueio desse estreito vital para o trânsito de hidrocarbonetos, não deram resultados.
Em plena alta nos preços da energia, os Emirados Árabes Unidos, um dos principais produtores de petróleo, anunciaram, nesta terça-feira, que sairão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+ a partir de 1º de maio para proteger seu "interesse nacional".
Segundo uma fonte próxima ao Ministério da Energia, a medida foi tomada porque Abu Dhabi – que já vinha manifestando há meses suas divergências dentro do cartel liderado pela Arábia Saudita – não deseja se sujeitar a cotas quando a situação no Estreito de Ormuz se normalizar.
No campo de batalha, uma frágil trégua vigora há quase três semanas, mas as negociações entre as partes continuam estagnadas.
O presidente americano, Donald Trump, reuniu-se na segunda-feira com seus principais assessores de segurança para discutir uma nova proposta iraniana. Segundo a rede CNN, Trump deu a entender que é pouco provável que a aceite, apesar de seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmar ser "melhor" do que imaginavam.
Do lado oposto, o Irã considera que "os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes", informou a televisão estatal, citando o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik.
Washington precisa aceitar que chegou a hora de "abandonar suas exigências ilegais e irracionais", acrescentou.
O plano proposto prevê que o Irã afrouxe o controle sobre o Estreito de Ormuz e que os Estados Unidos levantem seu bloqueio sobre os portos iranianos, sem deixar de prosseguir com negociações mais amplas, incluindo a questão do programa nuclear iraniano, segundo a plataforma Axios.
O presidente Trump afirmou em sua rede, Truth Social, que os iranianos haviam exigido que o estreito fosse reaberto "o mais rápido possível".
- Aposta errada? -
O Parlamento iraniano prepara uma lei que prevê colocar o Estreito de Ormuz sob a autoridade das forças armadas. Segundo esse texto, os navios israelenses terão proibida a passagem por ali e os pedágios deverão ser pagos em riais iranianos.
"Não podemos tolerar que os iranianos tentem instaurar um sistema em que eles decidam quem pode utilizar uma via marítima internacional e quanto é preciso pagar-lhes para usá-la", retrucou Rubio na Fox News.
Ele também reforçou que querem garantir "que qualquer negócio que se faça, qualquer acordo que se alcance, seja um que os impeça definitivamente de partir em busca de uma arma nuclear".
Em tempos de paz, um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás transita pelo Estreito de Ormuz.
Para a consultora americana Doufan, o Irã "acha que o aumento dos preços do petróleo e a iminente escassez mundial de derivados de petróleo" pressionará Trump "para que aceite uma solução para o conflito distante de sua exigência de uma 'rendição incondicional'".
Quanto aos americanos, aponta que "parecem apostar, de forma equivocada segundo muitos especialistas, que um reforço do bloqueio americano aos portos iranianos empurre" o regime "a aceitar as principais exigências dos Estados Unidos".
- "Conflito congelado"? -
"Temos muitas cartas que ainda não jogamos", afirmou nesta terça-feira à televisão estatal o porta-voz do exército iraniano, Amir Akraminia, que sustentou que "as forças armadas e o povo iraniano (...) podem continuar com esta guerra a longo prazo".
Na frente libanesa, Israel, que combate o movimento pró-iraniano Hezbollah, ordenou novas evacuações em várias cidades do sul, uma zona que foi bombardeada mais tarde, segundo a agência de notícias oficial libanesa NNA.
O chanceler israelense, Gideon Saar, destacou, no entanto, que o seu país "não tem ambições territoriais no Líbano".
Pouco depois de um cessar-fogo com o movimento islamista ter entrado em vigor em 17 de abril, Israel declarou a existência de uma "linha amarela", uma faixa de território libanês de cerca de 10 km ao longo da fronteira com Israel. Nessa zona operam as tropas israelenses.
Apesar da frágil trégua, Israel e o Hezbollah trocaram ataques e se acusam mutuamente de tê-la violado.
burx/phs/jnd/arm-hgs-jvb/erl/jc/mvv
N.Fournier--BTB