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Israel intercepta flotilha para Gaza e detém 211 ativistas, dizem organizadores
Israel interceptou, em frente à costa da Grécia, mais de 20 embarcações de uma flotilha com ajuda para Gaza e prendeu pelo menos 211 ativistas, informaram autoridades e os organizadores do comboio.
Hélène Coron, representante da seção francesa da 'Global Sumud', cujo objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, informou o número de detidos. Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia indicado que chegava a 175.
Coron afirmou por videoconferência que a operação de interceptação ocorreu perto da Ilha de Creta, a uma distância "sem precedentes" de Israel.
Onze detidos eram de nacionalidade francesa, disse Coron, que não pôde precisar a nacionalidade dos demais. Sem indicar também um número exato, o governo italiano pediu a libertação de seus cidadãos.
As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela ONU e por ONGs de impedir a entrada de bens no território, o que resultou em uma grave escassez desde o início da guerra no território palestino, em outubro de 2023.
Durante a noite, a 'Global Sumud', que partiu em abril de costas europeias, havia afirmado que "pelo menos 22 dos 58 barcos da frota foram tomados de assalto pelas forças israelenses, em total violação do direito internacional".
A flotilha havia afirmado que seus barcos foram "cercados ilegalmente" por navios israelenses e que "o contato com 11 embarcações foi perdido".
Segundo verificações realizadas pela AFP, que se baseou nos dados de navegação dos organizadores, os barcos foram interceptados na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Grécia.
Cerca de trinta continuam a caminho de Gaza; a maioria já se encontra em águas territoriais gregas, ao sul de Creta, segundo a mesma fonte.
- "Lasers e armas de assalto" -
"Nossos barcos foram abordados por lanchas militares cujos ocupantes se identificaram como sendo de 'Israel", denunciou também a flotilha na rede social X.
Acrescentou que os ocupantes foram "apontados com lasers e armas de assalto semiautomáticas" e que os soldados "ordenaram aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro".
Essa flotilha partiu nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).
Dois comboios internacionais anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e algumas figuras de países latino-americanos, como o brasileiro Thiago Ávila, foram interceptados pela Marinha israelense em frente às costas do Egito e de Gaza no verão e no outono europeus de 2025.
A abordagem desses barcos por parte das forças israelenses foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, e gerou condenações em nível internacional.
Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel.
A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista palestino Hamas, está submetida a um bloqueio israelense desde 2007.
A devastadora guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023 provocou uma grave escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível.
Desde o início de um precário cessar-fogo entre as partes em outubro passado, o Exército israelense controla mais da metade do pequeno território costeiro palestino, onde o acesso da ajuda humanitária continua restrito.
O ataque de 7 de outubro deixou 1.221 mortos, em sua maioria civis, do lado israelense, segundo números oficiais compilados pela AFP.
Mais de 72.500 palestinos morreram na Faixa devido à campanha militar de represália de Israel, de acordo com os dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
L.Dubois--BTB