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EUA e Irã assinam acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
Os presidentes de Estados Unidos e Irã assinaram um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo o qual Teerã se compromete a diluir seu urânio enriquecido em troca do levantamento das sanções contra seu país.
O acordo inclui o Líbano e foi assinado por Donald Trump nesta quarta-feira, durante um jantar com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes.
"Acabo de assiná-lo", disse Trump ao deixar o palácio. Em seguida, um funcionário da Casa Branca publicou um vídeo que mostra o momento da assinatura.
O texto também foi assinado pelo presidente do Irã, Masud Pezeshkian, informou a chancelaria iraniana.
- Reabertura de Ormuz -
Com a assinatura, o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente, ao mesmo tempo que o bloqueio americano dos portos iranianos será levantado, informou nesta quinta-feira (18) o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador.
O premier confirmou uma cerimônia na Suíça na próxima sexta-feira para “comemorar esse evento de destaque e dar o impulso inicial às negociações técnicas".
O secretário‑geral do movimento libanês pró‑Irã Hezbollah, Naim Qasem, considerou o acordo "uma grande vitória" para o Irã, país ao qual agradeceu por ter insistido em incluir o Líbano, que entrou no conflito quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em apoio ao Irã, em 2 de março.
O chefe do Hezbollah também pediu que o governo libanês encerre as negociações diretas com Israel, iniciadas em abril e acompanhadas por Washington. O presidente libanês, Joseph Aoun, havia assegurado que esse processo é "independente" do acordo entre Estados Unidos e Irã.
- Texto -
O texto do acordo foi divulgado nesta quarta-feira por Estados Unidos e Irã. Ele prevê que Washington suspenda, a partir da assinatura, suas sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos iranianos.
Nos próximos dois meses, os dois países vão discutir um mecanismo para tratar das reservas de urânio enriquecido do Irã, no centro das acusações americanas de que Teerã quer desenvolver armas nucleares. Para isso, será utilizado um método de diluição in loco sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em um prazo de 30 dias, o Irã deve permitir o restabelecimento completo do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Mas o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse à TV estatal que o Estreito "não voltará à situação anterior à guerra". "O Irã tem direito de soberania sobre Ormuz e certamente cobraremos um pedágio por esses serviços."
Os Estados Unidos se comprometem, em caso de acordo definitivo, a facilitar "com seus parceiros regionais" um fundo de 300 bilhões de dólares (1,53 trilhão de reais) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, sem que isso implique qualquer participação financeira americana.
- 'Oportunidade histórica' -
Em declaração conjunta, os membros do G7 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido - celebraram o acordo como "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e abordar as ameaças relacionadas com suas atividades regionais e balísticas".
A China, por sua vez, apontou que é "essencial" que "todas as partes" apliquem escrupulosamente esse acordo e evitem "ingerências" externas, durante uma conversa por telefone entre seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, e seu par iraniano, Abbas Araghchi, segundo Pequim.
O chefe da diplomacia chinesa, cujo país depende em grande medida das importações de petróleo do Golfo, insistiu na necessidade de que a navegação no Estreito de Ormuz seja "gerida adequadamente, respondendo com prudência às profundas preocupações da comunidade internacional".
As cotações do petróleo registraram nesta quarta‑feira uma alta momentânea de 5%, reflexo da inquietação do mercado antes da assinatura do acordo, mas o barril de Brent, referência mundial, encerrou o dia próximo dos 80 dólares.
burs-sst/vla/ad/nn/ic-lb
J.Bergmann--BTB