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EUA afirma que negociações com Irã vão continuar
Os Estados Unidos afirmaram neste domingo que as negociações com o Irã vão se estender "por toda a noite" na Suíça, apesar de os delegados iranianos terem se retirado do local das conversas em protesto contra uma mensagem publicada pelo presidente Donald Trump.
"A delegação iraniana ainda se encontra no local e a delegação americana prevê a continuação dos trabalhos por toda a noite", disse na madrugada desta segunda-feira (22) um diplomata americano que participa das conversas em Burgenstock.
Horas antes, a delegação do Irã abandonou o local onde negociava com os Estados Unidos o fim da guerra no Oriente Médio, após Trump ameçar a república islâmica com novos ataques.
Segundo a agência oficial Irna, as conversas, mediadas por Paquistão e Catar, "entraram em uma fase difícil após 80 minutos de discussões e uma interrupção, devido a uma mensagem ofensiva publicada pelo presidente dos Estados Unidos".
Uma fonte com conhecimento das conversas afirmou à AFP que a delegação iraniana permanecia "comprometida com as negociações" e não havia comunicado "aos mediadores nenhuma intenção de se retirar delas".
O Irã aconselhou os Estados Unidos a "medir suas palavras", uma amostra da tensão em torno do começo das negociações que buscam concluir na Suíça um memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A primeira cláusula do protocolo de acordo assinado na semana passada pelos presidentes de Estados Unidos e Irã estabelece que os dois países se comprometem "a se abster de ameaças ou do uso da força entre si".
A troca de advertências ocorreu logo após o início das negociações entre representantes americanos e iranianos em um hotel nos Alpes suíços. A delegação dos Estados Unidos é liderada pelo vice-presidente do país, JD Vance, e a iraniana, pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf.
Os participantes buscam um acordo final que encerre a guerra no Oriente Médio, uma hostilidade que já deixou milhares de mortos e afetou a economia mundial.
O vice-presidente americano descreveu o encontro como histórico e expressou esperança de "virar a página e transformar" a relação de seu país com o povo iraniano.
- Líbano -
As negociações começaram em meio a confrontos no Líbano entre Israel e o movimento islamita pró-Irã Hezbollah, apesar de o memorando de entendimento prever o fim das hostilidades em todas as frentes. Em retaliação, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz.
Trinta pessoas morreram ontem no leste e no sul do território libanês. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, advertiu que não será possível selar nenhum acordo com Washington se as hostilidades não cessarem no Líbano.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou neste domingo que seu exército permanecerá no sul do Líbano pelo "tempo que for necessário", enquanto o chefe do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou a criação de uma zona de segurança israelense no sul libanês.
Mais otimista, o vice-presidente americano disse hoje que havia observado "progressos consideráveis" nos últimos dias "para garantir que o cessar-fogo seja mantido no Líbano".
Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês, as operações israelenses mataram 4.106 pessoas desde 2 de março. No mesmo período, o Exército israelense reportou a morte de 36 militares.
Em um sinal de distensão, Israel anunciou na noite deste domingo que vai levantar a partir de amanhã as restrições a aglomerações impostas no norte do país, perto da fronteira com o Líbano.
burx-tq/mas-pc/mmy/jc-lb
B.Shevchenko--BTB