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EUA diz não querer acordo com Irã "a qualquer preço"
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (25) que um acordo com o Irã não deve ser alcançado "a qualquer preço" e manifestou preocupação com um possível "caos total" caso Teerã imponha uma tarifa para o trânsito pelo Estreito de Ormuz.
Rubio realizou uma viagem pelos países do Golfo para tranquilizar os aliados da região depois que Irã e Estados Unidos iniciaram negociações na Suíça na semana passada — após a assinatura de um memorando de entendimento em 17 de junho — em busca de uma solução para a guerra no Oriente Médio.
Os Estados Unidos desejam um acordo de paz, mas não "a qualquer preço", declarou diante de seus colegas dos países do Golfo.
"Queremos um acordo que seja bom, queremos um acordo que seja real, queremos um acordo que seja verificável e queremos um acordo que seja respeitado", acrescentou.
Ele se referia à situação no Estreito de Ormuz.
O Irã pretende impor "taxas de trânsito", inexistentes antes da guerra, e Washington se opõe a essa medida.
Essa passagem marítima, com cerca de trinta quilômetros de largura entre o Irã e Omã, possui importância estratégica: antes da guerra, por ela transitavam cerca de 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
- "O caos total" -
"As vias navegáveis internacionais não pertencem a nenhum Estado. Esse é um princípio fundamental no mundo atual, sem o qual o mundo estaria mergulhado no caos total", declarou Rubio.
"Se aceitarmos que é possível cobrar pelo uso de uma via navegável internacional apenas porque ela está próxima do território de um determinado país, isso se espalhará pelo mundo como uma praga", acrescentou.
Por outro lado, a situação parece estar se agravando entre o Irã e Omã, localizado do outro lado do estreito.
Omã anunciou que "taxas de trânsito" não serão incluídas em futuros acordos e mencionou a abertura de um "corredor marítimo temporário", iniciativa apresentada como um esforço conjunto com a ONU.
Entretanto, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, ameaçou responder com "medidas apropriadas" a qualquer tentativa de atravessar o estreito sem sua autorização prévia.
Além da questão do Estreito de Ormuz, os países do Golfo, que foram alvo de ataques iranianos durante a guerra, estão preocupados com o programa de mísseis balísticos do Irã e com seu apoio a grupos armados na região. Eles desejam que esses temas também sejam tratados nas negociações entre Irã e Estados Unidos.
- "O conjunto das ameaças" -
"Uma paz e uma segurança regional duradouras exigem enfrentar o conjunto das ameaças representadas pelo Irã, incluindo seus mísseis balísticos, seus drones e seu apoio a grupos armados na região", declararam os ministros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) em um comunicado conjunto.
No campo econômico, "qualquer intercâmbio comercial e qualquer investimento com o Irã devem estar sujeitos a condições e ser reversíveis", acrescentaram, conclamando Teerã a respeitar os termos do acordo e a "pôr fim ao seu comportamento desestabilizador".
O cessar-fogo favoreceu a retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, segundo a plataforma de monitoramento Kpler, e provocou a queda dos preços do petróleo aos níveis registrados antes do conflito.
O memorando de entendimento abre caminho para um período de 60 dias de negociações com o objetivo de alcançar um acordo definitivo.
Segundo Rubio, está prevista uma reunião técnica com a delegação iraniana nos dias 29 ou 30 de junho, na Suíça.
Nos Estados Unidos, aumentam as críticas às concessões feitas pelo presidente Donald Trump, que deseja encerrar essa guerra impopular.
A Casa Branca teve de solicitar recursos adicionais de quase 88 bilhões de dólares, principalmente para recompor seus estoques de munições.
Também persistem divergências em relação ao programa nuclear iraniano.
Teerã defende seu direito de desenvolver um programa nuclear para fins civis e nega sistematicamente que pretenda fabricar uma bomba atômica, como temem alguns países ocidentais.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou na quarta-feira que realizará inspeções no Irã, mas não informou quando elas ocorrerão.
Além disso, o Irã insistiu em incluir no memorando de entendimento o outro front da guerra: o Líbano, onde Israel enfrenta o grupo pró-iraniano Hezbollah e mantém tropas destacadas.
No entanto, o porta-voz do governo israelense, David Mencer, reiterou nesta quinta-feira que Israel não se retirará do país vizinho enquanto o Hezbollah não for desarmado.
K.Thomson--BTB