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Trump anuncia retomada de bloqueio naval em plena escalada com Irã
O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13) a retomada do bloqueio naval dos portos iranianos no Estreito de Ormuz, após uma intensificação das hostilidades sem precedentes desde o cessar-fogo de abril.
O mandatário afirmou que os Estados Unidos estão "assumindo o controle" e serão "o guardião do Estreito de Ormuz" e, por isso, cobrarão "uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada, por todos e cada um dos custos necessários para realizar o trabalho de fornecer segurança".
No entanto, o Irã insistiu que não permitirá que os Estados Unidos "interfiram" nessa passagem crucial para o transporte de petróleo e gás, sobre a qual pretende manter o controle estabelecido nos primeiros dias da guerra e onde aspira cobrar pelo trânsito de navios.
Essas posições conflitantes ocorreram enquanto ambas as partes trocavam ataques de uma magnitude sem precedentes desde o cessar-fogo alcançado em 8 de abril.
O Irã considera os Estados Unidos responsáveis pelo "retorno da insegurança" à região, e a Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, os acusa de colocar em risco o abastecimento mundial de petróleo.
A retomada das hostilidades no fim de semana e a disputa em torno dessa rota marítima, pela qual, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, provocaram nesta segunda-feira uma alta de mais de 3,5% no preço do petróleo, que passou a girar em torno de 79 dólares (403 reais).
- Acordo "em crise" -
A guerra foi desencadeada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelense-americana contra o Irã. Após o cessar-fogo alcançado em abril, os Estados Unidos e o Irã assinaram, em 17 de junho, um protocolo de acordo que previa 60 dias de trégua para negociar o fim do conflito.
Trump declarou na semana passada que o cessar-fogo "terminou" devido aos ataques iranianos contra navios em Ormuz. As hostilidades recentes também fizeram o protocolo de acordo ruir.
"Não há dúvida de que esse acordo está em crise. Mas o Irã nunca foi o primeiro a descumprir seus compromissos", declarou nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em coletiva de imprensa em Teerã, com participação da AFP.
As conversas diplomáticas com os mediadores Catar, Paquistão e Omã continuam com o objetivo de "evitar uma escalada" com os Estados Unidos, acrescentou.
"Que o protocolo de acordo esteja morto ou vivo é irrelevante, dadas as suas várias interpretações. Ambas as partes precisam chegar a termos mais claros", afirma Bader Al Saif, especialista da Universidade do Kuwait.
O documento previa a reabertura do estreito, embora Teerã só permitisse um único corredor de navegação, ao longo de sua costa, e ameaçasse os navios que se desviavam dessa rota.
"Essa passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas, e a República Islâmica do Irã irá protegê-la", declarou Mohsen Rezaee, assessor militar do líder supremo iraniano, citado pela agência de notícias Isna.
- 23 mortos desde quarta-feira -
No terreno, a região sofreu novos bombardeios nesta segunda-feira. As forças americanas afirmaram ter atingido "sistemas iranianos de defesa aérea militar, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e embarcações pequenas".
A mídia estatal iraniana noticiou ataques americanos em áreas do sul e do oeste do Irã, incluindo a ilha de Qeshm e Bandar Abbas, perto de Ormuz, além da província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque, onde duas pessoas morreram.
A agência Mehr relatou novas explosões próximas ao estreito marítimo na manhã desta segunda-feira. No total, 23 pessoas perderam a vida desde quarta-feira, segundo um levantamento da AFP com base na imprensa iraniana e em fontes oficiais.
Em represália, a Guarda Revolucionária afirmou ter bombardeado instalações americanas em Omã, Barein, Kuwait e Jordânia.
O Exército do Kuwait confirmou, nesta segunda-feira, que precisou responder a "alvos aéreos hostis" lançados contra seu território.
As forças de Bahrein acusaram o Irã de ter como alvo a população civil como parte de uma "postura hostil sistemática" e acrescentaram que haviam "interceptado e combatido vários ataques aéreos" na manhã desta segunda-feira.
D.Schneider--BTB