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França aprova lei que permite uso de pesticidas prejudiciais às abelhas
O Parlamento francês aprovou, nesta terça-feira (21), uma lei duramente criticada por grupos ecologistas que autoriza alguns agricultores a usar dois pesticidas prejudiciais para as abelhas, proibidos na França, mas permitidos na União Europeia.
Depois que a Assembleia Nacional (Câmara baixa) aprovou, na madrugada desta terça, o projeto de lei agrícola que inclui esta medida, uma última votação amplamente favorável no Senado (214 votos a favor e 111 contra) selou a aprovação do texto.
Diante da aprovação da reintrodução da acetamiprida e do flupiradifurone, o entorno da ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, afirmou que ela vai apresentar sua demissão em breve.
Os defensores da medida argumentam que os produtores franceses de beterraba-sacarina, maçã e avelã precisam desses inseticidas, proibidos na França desde 2018 e 2019, respectivamente, para competir com seus concorrentes europeus.
Os críticos argumentam que essas substâncias são perigosas para as abelhas e para a saúde humana.
"Fiquemos orgulhosos do trabalho realizado", disse o senador Laurent Duplomb, do partido Os Republicanos (conservador).
A votação ocorreu depois que o Conselho Constitucional, órgão encarregado de zelar pela Constituição, anulou no ano passado uma disposição de outro projeto de lei que buscava reintroduzir a acetamiprida por considerar que representa riscos à saúde humana, após uma petição assinada por mais de dois milhões de pessoas.
Esse projeto de lei foi promovido por Duplomb.
"O governo e seus aliados estão atropelando a ciência, a saúde, o meio ambiente e a vontade do povo", denunciou o Greenpeace após a aprovação do projeto de lei agrícola na Assembleia Nacional.
Henri Clément, da União Francesa de Apicultura, declarou ao veículo regional Ici Gard Lozère que a medida é "absolutamente catastrófica".
Diversas pesquisas concluíram que a acetamiprida pode intoxicar as abelhas melíferas, afetando sua capacidade de buscar alimentos e sua memória, e um estudo publicado em 2024 sugeriu que o flupiradifurone poderia ser letal para algumas espécies de abelhas.
A maioria dos deputados de esquerda na Assembleia Nacional votou esta semana contra a reintrodução dos dois pesticidas, mas o apoio da extrema-direita e de vários legisladores de centro permitiu que a iniciativa prevalecesse.
A esquerda tinha anunciado que voltaria a recorrer ao Conselho Constitucional se o Senado aprovasse a medida.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, defendeu o projeto de lei, ao considerar que é necessário para responder ao mal-estar do setor agrícola após os protestos registrados durante o inverno boreal.
burs-ah/as/mab/an/aa-jc/mvv/am
J.Bergmann--BTB