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Opositora venezuelana María Corina Machado ganha Prêmio Nobel da Paz
A líder opositora venezuelana María Corina Machado foi laureada nesta sexta-feira(10) com o Prêmio Nobel da Paz, anunciou o Comitê Norueguês do Nobel, que destacou sua "incansável" defesa da democracia diante do "brutal" governo de Nicolás Maduro.
"Estou chocada!", reagiu a política venezuelana em um vídeo divulgado por sua equipe de imprensa após saber da premiação.
"O que é isso? Eu não posso acreditar", disse em uma conversa com seu aliado Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha e que a substituiu como candidato nas últimas eleições presidenciais após sua inabilitação.
Machado foi premiada "por seu incansável trabalho de promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela, e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia", anunciou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes.
"É um dos exemplos mais extraordinários da coragem civil na América Latina em tempos recentes", destacou.
Segundo ele, María Corina Machado, que vive na clandestinidade, se impôs como "uma figura fundamental unificadora em uma oposição política que antes esteve profundamente dividida" e que agora exige "eleições livres e um governo representativo".
"Apesar de enfrentar sérias ameaças contra sua vida, ela permaneceu no país, uma escolha que tem inspirado milhões", acrescentou o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, que avaliou que a Venezuela "evoluiu de um país próspero e relativamente democrático para um Estado brutal e autoritário".
Recentemente, Machado, de 58 anos, engenheira e mãe de três filhos, manifestou seu apoio ao desdobramento militar dos Estados Unidos no Caribe, que o governo de Maduro chamou de "ameaça".
"Falta muito pouco para que os venezuelanos recuperem nossa soberania e a democracia. Estamos prontos para assumir as rédeas do novo governo", disse Machado em setembro.
Washington, que acusa Nicolás Maduro de estar por trás das redes de narcotráfico, afirma que sua operação responde a um dispositivo antidrogas, mas o chavismo considera isso uma "guerra não declarada", nas palavras do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.
- Na clandestinidade -
Nas últimas semanas, circulou nas redes sociais o rumor de que María Corina Machado estaria refugiada na embaixada dos Estados Unidos.
A opositora vive na clandestinidade desde depois das eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, nas quais Maduro reivindicou a vitória apesar das denúncias de fraude por parte de seus rivais.
Seu paradeiro não pôde ser confirmado pela AFP nem por nenhuma autoridade venezuelana ou americana. O ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, insinuou que Machado está refugiada nessa sede diplomática.
A oposição liderada por Machado reivindica a vitória nas eleições presidenciais de 2024, às quais concorreu com a candidatura de Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha devido a uma ordem de prisão contra ele.
Os Estados Unidos também não reconheceram o resultado dessas eleições.
O prêmio é um "merecidíssimo reconhecimento" à sua "longa luta" pela "liberdade" na Venezuela, comemorou González Urrutia na rede social X. "A primeira Nobel da Venezuela!", escreveu.
O porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, disse que a decisão reflete "as claras aspirações do povo da Venezuela por eleições livres e justas, pelos direitos civis e políticos e pelo Estado de direito".
A União Europeia também reagiu ao prêmio. O Nobel é uma "mensagem poderosa" em favor da democracia, afirmou Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão, braço Executivo da UE.
No ano passado, o prestigioso prêmio foi para o grupo antinuclear japonês Nihon Hidankyo, um movimento promovido por sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
O prêmio, que será entregue em 10 de dezembro em Oslo, consiste em uma medalha de ouro, um diploma e uma quantia de 1,2 milhões de dólares (6,42 milhões de reais).
Assim como esperavam os observadores, o prêmio escapou mais uma vez das mãos do presidente americano Donald Trump, que manifestou repetidamente o desejo de ser reconhecido com o Nobel da Paz, como foi seu antecessor democrata Barack Obama.
K.Thomson--BTB