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Ex-diretor da Audi se declara culpado de fraude no 'Dieselgate'
Um ex-diretor da fabricante de carros Audi, filial da Volkswagen, julgado na Alemanha no caso 'Dieselgate', admitiu, nesta terça-feira (25), em seu julgamento, ter instalado um software enganoso para distorcer informações sobre emissões de gases contaminantes.
Wolfgang Hatz se declarou culpado para receber uma pena reduzida como parte de um acordo com o tribunal.
Ele e outros dois funcionários instalaram o software proibido, explicou o advogado deste ex-diretor ao tribunal regional de Munique.
Este julgamento, iniciado há dois anos e meio, é o primeiro na Alemanha a julgar criminalmente o caso 'Dieselgate', com Rupert Stadler, de 60 anos, como principal acusado e ex-diretor da Audi. Até agora, ele nega qualquer responsabilidade no tema dos motores manipulados.
A admissão de Hatz "dá uma revitavolta" no processo, disse o juiz que preside as audiências de Stefan Weickert.
Admitir a culpa deve lhe permitir uma pena reduzida, de um máximo de dez anos. O tribunal de Munique havia proposto a ele a suspensão da pena em troca de uma confissão.
Hatz sabia da ilegalidade na Alemanha do dispositivo que ajudou a instalar nos motores do grupo Volkswagen, disse seu advogado nesta terça. Um caráter ilegal "reconhecido e aceito" por seu cliente, acrescentou.
O advogado de Hatz, o tribunal e a defesa recomendaram uma pena de prisão com direito a sursis de 18 a 24 meses e multa de 400.000 euros (cerca de 2,2 milhões de reais, na cotação atual). Mas a promotoria se opõe a esta solução por causa de confissões tardias.
Seu caso será abordado durante uma audiência a portas fechadas na tarde desta terça.
Rupert Stadler é processado por "fraude", "expedição de certificados falsos" e "publicidade enganosa".
Outro engenheiro da Audi, Giovanni Pamio, confessou e recebeu, nesta terça, pena de prisão condicional de 18 a 24 meses e terá que pagar uma multa de 50.000 euros (277 mil reais aproximadamente).
A gigante automotiva Volkswagen admitiu, em setembro de 2015, que havia instalado dispositivos em 11 milhões de veículos das marcas do grupo que os faziam parecer, durante testes de laboratório, menos contaminantes do que realmente eram.
O 'Dieselgate' provocou um escândalo mundial e arranhou gravemente a reputação da indústria automobilística alemã.
K.Thomson--BTB