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Petróleo modera sua alta e Wall Street se recupera graças a Trump
O petróleo moderou sua alta nesta segunda-feira (9), após uma disparada que impactou as bolsas mundiais, e Wall Street conseguiu fechar no azul graças a declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou que a guerra com o Irã está "praticamente encerrada".
Os preços do petróleo ultrapassaram os 100 dólares por barril pela primeira vez desde 2022, quando o início da guerra na Ucrânia provocou uma forte alta.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã responde aos bombardeios israelenses e dos Estados Unidos com ataques contra instalações petrolíferas de países do Oriente Médio.
Trump disse nesta segunda à CBS que a guerra está "praticamente encerrada", já que o Irã não tem "marinha", nem "comunicações", nem "força aérea".
"Vendo bem, não lhes resta nada. Não resta nada em sentido militar", acrescentou.
Nos últimos dias, o presidente fez avaliações semelhantes dos danos causados pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel.
Também disse que estava "pensando em assumir o controle" do Estreito de Ormuz.
Isso tranquilizou os investidores, já que a navegação está praticamente bloqueada nessa passagem estratégica para o comércio global, por onde transita cerca de 20% do petróleo produzido no mundo.
As declarações de Trump aliviaram assim o mercado: o petróleo cedia após o fechamento e Wall Street, que ainda operava quando o republicano falou, subiu.
Nas transações eletrônicas posteriores ao fechamento, o barril de Brent caía 5,20%, para 87,87 dólares.
Enquanto isso, o West Texas Intermediate (WTI) perdia 7,47%, para 84,11 dólares por barril, por volta das 19h45 GMT (16h45 no horário de Brasília).
- Razões da disparada -
O petróleo chegou a subir até 30% durante as negociações na Ásia.
Mesmo após a invasão russa da Ucrânia em 2022, quando o petróleo atingiu o nível de 130,50 dólares por barril, a alta dos preços não foi tão vertiginosa.
Chris Beauchamp, analista da IG, destacou que o pânico que sacudiu o mercado de petróleo "se acalmou temporariamente", mas as "causas profundas" da brusca alta persistem e isso "garante um preço mínimo de curto prazo muito acima dos máximos anteriores à guerra".
- E as bolsas? -
Do lado da Bolsa de Nova York, após uma abertura claramente em baixa, Wall Street acabou fechando em alta nesta segunda-feira graças a Trump.
O Dow Jones ganhou 0,50%, o Nasdaq avançou 1,38% e o S&P 500 subiu 0,83%.
No início da sessão, os três principais índices americanos haviam caído mais de 1%.
As bolsas europeias, por sua vez, abriram com quedas acentuadas, mas reduziram suas perdas ao longo do dia diante da perspectiva de que os países do G7 recorram de forma coordenada a suas reservas estratégicas para conter a escalada dos preços.
Essa tendência se manteve depois que os ministros das Finanças do G7 afirmaram estar "prontos" para utilizar as reservas estratégicas de petróleo para atenuar os preços, mas consideram que "ainda não se chegou a esse ponto".
A Bolsa de Paris fechou com queda de 0,98%, Frankfurt recuou 0,77%, Londres cedeu 0,34%, Milão perdeu 0,29% e Madri, 0,89%.
- "Riscos de estagflação" -
Os investidores estão preocupados com a possibilidade de uma alta dos preços de energia gerar um surto de inflação e prejudicar o crescimento da economia.
"A alta do preço do petróleo está aumentando significativamente os riscos de estagflação para a economia mundial e pode desencadear uma liquidação ainda mais profunda nos mercados acionários globais", afirmou Lee Hardman, analista do MUFG.
A estagflação é um período de inflação alta e estagnação econômica. Nesse contexto, os bancos centrais se veem obrigados a elevar as taxas de juros para conter a inflação, o que afeta negativamente o crescimento.
Na Ásia, as bolsas fecharam com fortes perdas, e a praça de Seul, que este ano vinha tendo um desempenho sólido graças às suas empresas de tecnologia, encerrou esta segunda-feira com queda de 5,96%, enquanto a de Tóquio recuou 5,2%.
F.Müller--BTB