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Emirados Árabes Unidos deixarão Opep em maio
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram de surpresa que se retirarão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo em maio, para proteger seu "interesse nacional", um revés para a aliança, fortemente afetada pela guerra no Oriente Médio.
O país do Golfo, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, deixará o grupo liderado por Arábia Saudita e também a aliança Opep+, da qual a Rússia também faz parte, a partir de 1º de maio, informou a agência estatal de notícias Wam.
"Essa decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução de seu perfil energético, especialmente a aceleração dos investimentos na produção energética nacional", indicou a agência Wam.
Os Emirados, que se juntaram ao cartel em 1967, "fizeram contribuições importantes e aceitaram sacrifícios ainda maiores no interesse de todos. Mas chegou o momento de concentrar nossos esforços no que dita nosso interesse nacional", acrescentou.
Essa saída da Opep ocorre após vários desentendimentos nos últimos meses entre as duas potências do Golfo, por muito tempo aliadas.
Da Líbia ao Iêmen, passando pelo Chifre da África, Riad vê com maus olhos as ambições regionais de seu vizinho, segundo analistas.
- Produzir mais -
Agora, suas divergências também se manifestam no plano econômico.
Após a saída, desde 2019, do Catar e, depois, de Equador e Angola, o anúncio de Abu Dhabi causou surpresa, embora o país, interessado em produzir mais, já tivesse manifestado suas divergências dentro do grupo nos últimos anos.
Mesmo assim, havia recebido um tratamento favorável para aumentar suas cotas de produção mais do que os demais. Mas, ao que parece, essas concessões não foram suficientes, em um momento em que a guerra no Oriente Médio apresenta novos desafios.
Os Emirados são um dos países mais atacados pelo Irã em represália pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica, lançada em 28 de fevereiro.
O conflito fez com que o Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita cerca de 20% dos hidrocarbonetos consumidos no mundo, ficasse praticamente fechado. Isso, por sua vez, fez com que os preços do petróleo disparassem.
Diante da situação atual no estreito, os Emirados Árabes Unidos não desejam ficar submetidos a cotas quando a situação voltar ao normal, segundo uma fonte próxima ao Ministério da Energia.
- "Enfraquecimento" da Opep -
Para Jorge León, essa retirada marca uma virada importante para a Opep. "Junto com a Arábia Saudita, é um dos poucos membros que têm uma capacidade de reserva significativa, o mecanismo com o qual o grupo exerce sua influência no mercado", explicou à AFP.
Embora, no curto prazo, os efeitos da decisão possam ser limitados, dadas as perturbações atuais causadas pela guerra, "isso se traduzirá, a longo prazo, em um enfraquecimento estrutural da Opep", avaliou o especialista.
Fundada em 1960, a Opep, que reúne atualmente 12 membros, formou em 2016 uma aliança com outros dez países — incluindo a Rússia — sob um acordo chamado Opep+, com o objetivo de limitar a oferta e sustentar os preços diante dos desafios impostos pela concorrência dos Estados Unidos.
Antes do conflito no Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos ocupavam o quarto lugar entre os 22 produtores da Opep+, atrás da Arábia Saudita, Rússia e Iraque, com cerca de 3,5 milhões de barris por dia.
Segundo David Oxley, "quando os fluxos energéticos voltarem ao normal, a saída da Opep+ poderá levar os Emirados Árabes Unidos a bombear 1 milhão de barris adicionais".
E.Schubert--BTB