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Novos ataques na região de Ormuz; EUA retoma bloqueio aos portos do Irã
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O fogo cruzado entre os Estados Unidos e o Irã continuava nesta quarta-feira (15) após uma semana de bombardeios. O conflito não dá sinais de esfriar depois do bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz e dos portos iranianos.
Quase um mês após Washington e Teerã terem assinado um protocolo de acordo visando pôr fim à guerra no Oriente Médio, ambas as partes retomaram os combates, com repercussões em toda a região.
Nesta quarta, os Estados Unidos lançaram duas novas séries distintas de bombardeios contra as costas do Irã e dispararam contra um navio petroleiro que tentava romper seu bloqueio aos cais iranianos, restabelecido na véspera.
O Irã, que voltou a fechar Ormuz no fim de semana, prometeu que essa via marítima crucial para o trânsito de hidrocarbonetos permanecerá fechada até o fim das "agressões" americanas.
Teerã também atacou, em retaliação, instalações americanas em toda a região, o que mina cada vez mais os esforços diplomáticos para pôr fim de maneira duradoura à guerra desencadeada em 28 de fevereiro pelos bombardeios israelenses e americanos contra seu território.
Nas primeiras horas desta quinta-feira, o Kuwait informou que estava interceptando drones iranianos, enquanto no Bahrein soaram as sirenes antiaéreas.
Essa nova escalada dos enfrentamentos começou em 7 de julho, após vários ataques contra navios no Golfo, atribuídos ao Irã.
A ofensiva, sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, fez cair por terra um protocolo de acordo assinado em meados de junho, que deveria encerrar as hostilidades.
"Um protocolo de acordo só faz sentido quando suas cláusulas são válidas e aplicadas", declarou nesta quarta-feira o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, em um comunicado.
"Se a República Islâmica do Irã não vai obter nenhum benefício (...), não temos nenhuma razão para aderir", afirmou.
- Navio "neutralizado" -
A cidade portuária de Bushehr, sede da única usina nuclear do Irã, foi novamente atacada nesta quarta, assim como os arredores de Iranshahr (sudeste). Sete militares morreram lá, segundo o Exército iraniano, que contabilizou 13 lançamentos de mísseis americanos.
"Os bombardeios reduziram ainda mais a capacidade do Irã de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz" e duraram 90 minutos, indicou, por sua vez, o Exército americano.
Ao fim do dia, Washington realizou uma segunda série de ataques com o mesmo objetivo.
Mais de 30 civis morreram desde que os confrontos foram retomados, de acordo com Teerã.
No contexto do bloqueio dos portos iranianos restabelecido por Washington na terça-feira, um avião militar americano também disparou nesta quarta contra um petroleiro vazio de bandeira de Curaçao que tentava atravessar e que acabou "neutralizado".
No Iraque, forças curdas afirmaram que a coalizão liderada pelos Estados Unidos derrubou oito drones sobre Erbil, capital do Curdistão iraquiano, onde jornalistas da AFP ouviram explosões e viram fumaça perto do consulado americano.
- "Mataremos Trump" -
O Catar, alvo de ataques no domingo apesar de desempenhar o papel de mediador nesse conflito, recebeu o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi.
No Estreito de Ormuz, situado em águas iranianas e omanenses e por onde, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundiais, o tráfego foi reduzido após o ataque contra vários petroleiros.
Nesta quarta-feira, os preços do petróleo se mantiveram estáveis após a forte alta no início da semana, com o barril de Brent, referência internacional, em torno de 85 dólares.
Ao restabelecer o bloqueio dos portos iranianos, o presidente americano, Donald Trump, busca pressionar Teerã, que quer manter o controle do estreito e só autoriza um único corredor de navegação ao longo de suas costas.
No fim da noite de quarta-feira, o magnata republicano confirmou que a república islâmica libertou uma cidadã americana detida desde dezembro de 2024. "Os Estados Unidos da América agradecem este gesto de boa vontade por parte do Irã!", escreveu em sua plataforma TruthSocial.
Essa mensagem contrastou com o ultimato que havia dirigido aos iranianos na terça-feira: ou retomam as negociações, ou "na semana que vem as coisas vão ficar realmente muito feias para eles".
As autoridades do Irã, longe de se deixarem intimidar, instalaram um enorme cartaz no centro de Teerã que mostra o presidente em um caixão com a mensagem "Mataremos Trump", segundo um vídeo da AFPTV.
burx-am/tmt/mas-erl/avl/an/jvb/ad/arm/ic
M.Odermatt--BTB